sábado, 27 de junho de 2015

Reflexão sobre a Homossexualidade no EUA X Homossexualidade no Brasil.



 Em 12 de março de 2007, escolas britânicas introduziram contos infantis com temática gay para crianças entre quatro e 11 anos de idade, conforme matéria exibida no BBC Brasil.
“A iniciativa piloto foi criada para familiarizar as crianças com as relações homossexuais e adaptar o currículo a um conjunto de novas leis que entra em vigor em abril, conhecido como Ato de Igualdade, que visa reduzir desigualdades sociais e eliminar discriminação no país. Uma das fábulas, King & King (Rei e Rei), conta a história de um príncipe que rejeita três princesas antes de se apaixonar e se casar com o irmão de uma delas. Outro conto de fadas mostra uma menina com duas mães e há ainda uma história sobre a relação de dois pingüins machos em um zoológico de Nova York.” Relata a reportagem.
 Elizabeth Atinkson, da Universidade de Sunderland, em entrevista ao jornal Daily Mail, disse que “O objetivo é ajudar as escolas a atingirem seus requerimentos sob o Ato de Igualdade. Há muito pouco disponível no momento para permitir que eles atendam às necessidades de todos os alunos”.
Não se enganem quem acredita que não houve grande oposição a tal medida. Católicos, Evangélicos e os mais conservadores se opuseram a decisão, conforme podemos perceber na fala de Simon Calvert, do Instituto Cristão: “As previsões de que as novas leis resultariam na promoção ativa da homossexualidade nas escolas estão virando realidade”.
Ontem, 26 de Junho de 2015, os homossexuais dos EUA, conquistaram por fim, a legalização do casamento Gay. No entanto é interessante percebermos que desde 2007, já iniciava uma preparação em um dos aspectos mais importantes para evolução de uma sociedade: a Educação. A preocupação de que os “homofóbicos” são frutos de uma sociedade preconceituosa, machista, logo, educar nessa perspectiva de respeitar as diferenças é de suma importância.
Não temos ainda no Brasil, nas nossas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, reformulada pela ultima vez em 2013, nada específico sobre homossexualidade. Temos sim, na página 514, o início das Diretrizes em Direitos Humanos. Portanto, a base nacional não respalda a esfera nacional, tão pouco a municipal para este plano. O que não significa dizer que muitos estados e muitos municípios pela autonomia que tem, diante suas especificidades, flexibilizar seu currículo, porém, não esqueçamos que ainda somos(enquanto sociedade), racistas, machistas e homofóbicos.
E agora, cabe a quem esses “convites” de mudanças?
Mudanças essas que obrigatoriamente iniciaria em qual esfera: nacional, estadual ou municipal?
Penso que numa cidade primária como muitas que temos, localizada no agreste, algumas pessoas que detém o “poder legislativo”, não compreendem ainda a suma importância da escola está atenta a essas diferenças, no entanto, acredito que se o nacional faz uma emenda, o estadual assim, faria e obrigatoriamente o município faça.
Ora, se cobra hoje das escolas municipais se lembrar do negro e da sua cultura por que os Movimentos Negros do Brasil inteiro lutaram e conquistaram, então, gostando ou não, professores da rede(que como parte de uma sociedade racista, também assim, muitos são) terão que cumprir. É lei federal! Modificou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional(LDB).
Portanto, gente, precisamos lutar, precisamos ocupar os fóruns, precisamos ocupar conselhos, precisamos ocupar as ruas, com respeito e seriedade. Pois por aqui, as coisas não andam bem! O percentual de violência relativo as questões LGBTT não são pequenos, vemos jovens sendo espancados, mortos todos os dias por serem apenas diferentes.
É preciso preparar nossas crianças, nossos adolescentes, nossos idosos, nossas professoras, vereadores, pais e mães, enfim, toda uma sociedade para conceber o que é de direito: o Respeito às Diferenças.

Enquanto não se existe a reforma da Constituição brasileira vamos respeitá-la fazendo-a valer. Inclusive valer os direitos do diferente, daqueles que sempre foram inferiorizados por uma camada da sociedade que ainda hoje se sente superior, seja por questões raciais, sexuais, genêro e/ou pelo status ocupado na sociedade (classe).

Vamos fazer valer sim o inciso IV do artigo 3º da Constituição:

“promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

Sai da moda e vem pra luta, pra articulação, pra ocupação dos espaços!




Teresa Raquel Silva
Professora


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Lourdinha Troeira e o Instituto Musical Villa Lobos


Um dos grandes ícones da promoção de aprendizagem da música clássica e popular brasileira na Cidade de Caruaru, chama-se Lourdinha Andrade Troeira, famosa pela Escola de Musica Instituto Musical Villa Lobos.
Ex aluna e admiradora desta grande mulher, a qual mãe de três filhos: Tadeu, Karen e Kleber, dona Lourdinha (como é mais conhecida) agitou o palco do Auditório da antiga Rádio Difusora de Caruaru com suas famosas audições desde a década de 70. 
Grandes nomes da nossa cidade foram alunos da estimada professora de música, aprendendo a espalhar alegria pelo mundo através da expressão musical com Piano, Acordeon e o teclado, com a "modernidade".
Deleitemo-nos com algumas fotografias do Instituto Musical Villa Lobos e um pouco da história da nossa eterna Professora Lourdinha Troeira.



  Na foto acima vemos seus pais, João Andrade Sobrinho e Maria Augusta de Andrade. "Foram meus incentivadores nesse mundo da música. Compraram cedinho uma sanfona e um piano para que eu e minha irmã Gracinha Andrade", como podemos ver na foto abaixo, tocando o tango Sentimento Gaúcho em 1964.


Em 1970, Lourdinha recebeu troféu de 1º lugar das mãos do Juiz de Direito Dr. Plácido de Souza, pela composição da musica Valsa Triste, realizado pela professora Terezinha Barbalho (irmã do grandioso Nelson Barbalho). Neste mesmo concurso, recebeu ainda o troféu de 4º lugar pela música O Chorinho.




Da comissão julgadora do concurso faziam parte: Um coronel e a esposa (os quais não lembra o nome), Dr. Plácido Souza, Maestro Joaquim Augusto e Mariana Lima, conforme foto abaixo.


Muito dedicada aos filhos, dividindo o tempo com os afazeres da casa, cuidar dos filhos (desejando que eles seguissem seus passos em relação a música) e ensinar a dezenas de alunos o ofício da música. Nas audições, sempre estava ladeada pelos filhos e acompanhada de seu esposo, Júlio Troeira. Na foto abaixo, podemos ver a Audição do Instituto de 1978, onde tocou com sua filha Karen Andrade (na foto com apenas 4 anos) e seu filho, Tadeu Andrade.


Ladeada pelo esposo Júlio Troeira em Audição.







Em 1971, o Acordeon era a atração do momento!





  

 A beleza e a postura de Lourdinha era encantadora a todos que viam como aquela bela jovem dominava com tranquilidade e harmoniosamente o acordeon.



Recentemente, Lourdinha Andrade Troeira recebeu em sua Escola de Música pessoas que aprendem o ofício da música e contribuírem para a continuidade da arte musical, a exemplo de dona Graciete e de Geruza (Intérprete de Libras).


Entre estas alunas estão Dagmar, Marina e outra a qual não lembramos o nome.


Entre seus alunos estão Berinho do Acordeon, Teresa Raquel (esta que vos escreve), Rogaciano, Belkys Araújo de Menezes, Fabiana Florêncio, entre centenas que irão se reconhecer ao ler este trabalho e que se quiserem poderão solicitar inclusão do nome neste.Vejamos algumas fotografias mais atuais.

No aniversário de Lourdinha e do Instituto na ACACIL.
 

Em 1988, recebeu o título de Cidadã Caruaruense, onde dentre de algumas homenagens
recebidas pelo título, estava um diploma pelo Lions Clube por ser Lioness do referido 
Clube de Serviços.




Atualmente, Lourdinha Andrade Troeira, continua com seu Instituto e as aulas acontecem
em sua residência, na Rua Silvino Macedo, 206- Centro.
Todo ano presta homenagem por devoção a Santa Cecília, Padroeira dos Músicos e na 
ocasião realiza audição com atuais e ex-alunos.
Nomes como Paulo e Vandete Miranda, Dr. Leite, Fábio Cássio, vendo a homenagem feita pelo neto Lucas Andrade e a aluna Teresa Raquel em dia de seu aniversário e aniversário do Instituto em evento ocorrido na ACACIL.

A ex-aluna Teresa Raquel, recebendo seu Diploma pelas mãos de Lourdinha Troeira (esquerda) e sua filha Karen (direita)


Mais que nunca o Instituto Musical Villa Lobos vive e continua levando alegria, através da
música as famílias amantes da boa música no País de Caruaru.


Texto e pesquisa: Teresa Raquel Silva
Fonte: Acervo fotográfico da sra. Lourdinha Andrade Troeira.





quinta-feira, 23 de abril de 2015

Heroínas negras na história do Brasil


Na história do Brasil, conta-se muito pouco a respeito das mulheres negras. Na escola, são pouquíssimas as aulas que citem as grandes guerreiras e líderes quilombolas, ou que simplesmente mencionem a existência das mulheres negras para além da escravidão. Em um país em que a escravidão não é retratada como uma vergonha para a nação –  pelo contrário, ainda se insiste que a população negra não lutou contra esse quadro -, isso não é nenhuma surpresa.
Nós, brasileiros, passamos vários anos na escola aprendendo sobre todos os detalhes das vidas de Dom Pedro I e II, seus familiares, seus casos sexuais e viagens. Na televisão, os imperadores viram protagonistas de minisséries, enquanto os atores e atrizes negros são reduzidos a papéis de escravos sem profundidade. Grandes lutadores como Zumbi dos Palmares, Dragão do Mar e José Luiz Napoleão, são pouco mencionados. Aliás, eles são lembrados apenas no mês de novembro, em razão do Dia da Consciência Negra; mas as mulheres negras, que contribuíram de tantas formas na luta contra a escravidão e nas conquistas sociais do Brasil, nem sequer são mencionadas.
Cordel sobre Dandara dos Palmares, líder quilombola e companheira de Zumbi.
Cordel sobre Dandara dos Palmares, líder quilombola e companheira de Zumbi.
O esquecimento das mulheres negras na história é algo que contribui para a vilipendiação da população negra. Por conta disso, as garotas negras crescem achando que não há boas referências intelectuais e de resistência nas quais possam se espelhar. Para descobrir seus referenciais, é preciso que se mergulhe em uma pesquisa individual, muitas vezes solitária, juntando peças de um enorme quebra-cabeça para no fim descobrir que pouquíssimo foi registrado a respeito de mulheres como Dandara dos Palmares ou  Tereza de Benguela – importantes líderes quilombolas.
Devido ao machismo, é muito difícil encontrar registros da história das mulheres, especialmente aqueles que sejam contados de forma aprofundada e responsável. Ainda hoje, poucas mulheres, mesmo entre as brancas ou europeias, são citadas e celebradas por suas conquistas. No entanto, quando essas mulheres são negras, a negligência é ainda maior. Em um país onde mais de 50% da população é negra, a situação desse quadro é absurda.
Mesmo com os esforços racistas para apagar a história das mulheres negras, racismo nenhum será capaz de enterrar a memória de ícones como Luísa Mahin e Tia Simoa. Mulheres negras inteligentes, com grande capacidade estratégica, imensa coragem e ímpeto de transformação, que jamais se conformaram ou se dobraram diante do racismo e da misoginia; pelo contrário, lutaram e deram suas vidas para que mulheres negras como eu pudessem viver em liberdade e escrever, ocupando espaços que, ainda hoje, nos são de difícil acesso.
Infelizmente, tive que descobrir essas guerreiras por conta própria, contando com a ajuda de outras mulheres negras, companheiras de luta, que me apresentaram textos e materiais onde suas vidas foram contadas, ainda que brevemente. Por isso, decidi utilizar minha produção literária, meus cordéis, para contar as histórias dessas mulheres e fazer com que mais pessoas tomassem conhecimento de suas batalhas e do quanto são importantes para a história do Brasil. Até o momento, tenho vários cordéis biográficos que contam as trajetórias de Aqualtune e Carolina Maria de Jesus, além de outras já citadas nesse texto.
Nosso papel é fazer com que essas mulheres negras sejam conhecidas e seus feitos sejam estudados. Seja por meio do cordel, das redes sociais ou de trabalhos acadêmicos, precisamos registrar e divulgar essas memórias. Com elas, provamos que a população negra sempre lutou por seus direitos, provamos que as mulheres negras sempre foram protagonistas dos movimentos negro e de mulheres e que nunca se omitiram ou saíram das trincheiras. Afinal, essas mulheres são espelhos e exemplos do que todas as meninas e jovens negras podem ser. 
– Para conhecer meus cordéis biográficos e feministas, visite: www.jaridarraes.com/cordel
Leia a matéria completa em: Heroínas negras na história do Brasil - Geledés 
Follow us: @geledes on Twitter | geledes on Facebook 

Créditos: Geledés.

Hoje na História, 23 de abril de 1897, nascia Pixinguinha

pixinguinha009

Alfredo da Rocha Vianna Filho, conhecido como Pixinguinha (Rio de Janeiro, 23 de abril de 1897 — Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 1973), foi um flautista, saxofonista, compositor e arranjador brasileiro.
No estúdio da Rádio Mayrink Veiga, 1932, o jovem Manuel de Nóbrega, aos 19 anos (2º em pé da esq para dir) Carmen e Aurora Miranda (sentadas) segurando a flauta Pixinguinha.
Pixinguinha é considerado um dos maiores compositores da música popular brasileira, contribuiu diretamente para que o choro encontrasse uma forma musical definitiva.
*********
Músico, instrumentista, cantor e compositor brasileiro nascido no bairro do Catumbi, na cidade do Rio de Janeiro, famoso autor de chorinhos na história da música popular brasileira. Aos 12 anos de idade fez sua estréia como músico profissional em uma casa de chopp da Lapa, denominada A Concha. Pouco depois foi tocar na orquestra do Teatro Rio Branco, dirigida pelo célebre maestro Paulino Sacramento. Apesar de um menino no meio daqueles profissionais saiu-se bem. Sua estréia se deu na peça Chegou Neves onde ele ainda tocava de calças curtas. Fez sua primeira gravação foi na Favorite Record (1911) com a música São João debaixo d’água. Nesta gravadora ficou por três anos e passou a integrar o Grupo do Caxangá (1913), conjunto organizado por João Pernambuco, de inspiração nordestina, tanto no repertório, como na indumentária, onde cada integrante do conjunto adotava para si um codinome sertanejo.
O grupo se tornou o grande sucesso musical do carnaval (1914), com o tango Dominante (1914) teve sua primeira composição gravada, disco Odeon (1915), com interpretação do Bloco dos parafusos. Neste ano começou a fazer suas primeiras orquestrações para cinemas, teatros, circos etc. Começou a gravar na Odeon e o seu primeiro disco seria Morro da favela (1917), um maxixe, e Morro do Pinto, outro maxixe. Registrou vários discos com músicas de sua autoria, e alguns em que atuou apenas como intérprete. Destacaram-se neste início as gravações do tango Sofres porque queres (1917) e a valsa Rosa (1917).
Seu grande sucesso popular aconteceria com o samba Já te digo (1919), composto com China, lançado pelo Grupo de Caxangá. Constituíu o conjunto Os Oito Batutas (1919) para sonorizar os cinemas. O grupo tornou-se uma atração à parte, maior até que os próprios filmes e o povo aglomerava-se na calçada só para ouvi-los. Conquistaram rapidamente a fama de melhor conjunto típico da música brasileira, empreendendo excursões por São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Pernambuco. Embarcaram para Paris, custeados por Arnaldo Guinle, por sugestão do dançarino Duque, divulgador do maxixe no exterior (1922), estreando em meados de fevereiro no Dancing Sherazade e a temporada prevista para apenas um mês, prolongou-se até o final do mês de julho, quando retornaram ao Brasil para participarem das comemorações do centenário da Independência do Brasil. Gravou na Parlophon os choros Lamento e Carinhoso (1922) e no ano seguinte embarcaram para uma temporada na Argentina, onde gravaram treze músicas. Porém divergências entre os integrantes do grupo durante a permanência em terras portenhas, levaram a dissolução do grupo brasileiro.
No Brasil o extraordinário músico brasileiro continuou fazendo sucesso e casou-se (1927) com Albertina da Rocha, a D. Betty, então estrela da Companhia Negra de Revista. Fundou o grupo Jazz-Band Os Batutas (1928). Organizou e integrou como flautista, arranjador e regente o Grupo da Velha Guarda (1932), conjunto que reuniu alguns dos maiores instrumentistas brasileiros da época e realizou inúmeras gravações na Victor, acompanhando também grandes cantores como Carmen Miranda, Sílvio Caldas, Mário Reis entre outros. Organizou também na Victor a orquestra Diabos do Céu (1932). Diplomou-se em teoria musical no Instituto Nacional de Música (1933). Foi nomeado para o cargo de Fiscal de Limpeza Pública (1933), e adotou uma criança (1935), Alfredo da Rocha Vianna Neto, o Alfredinho. Deu parceria a Benedito Lacerda para vários dos seus choros (1946) e gravaram juntos os seguintes discos nos anos seguintes. Foi homenageado pelo prefeito Negrão de Lima com a inauguração da Rua Pixinguinha, no bairro de Olaria, onde morava (1956).
Recebeu o Prêmio da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (1958), diploma concedido ao melhor arranjador pelo Correio da Manhã e pela Biblioteca Nacional. Durante sua vida, recebeu cerca de 40 troféus. Sofreu uma segunda crise cardíaca (1958), contornada pelos médicos. Seis anos depois sofreu um enfarte (1964), tendo sido internado no Instituto de Cardiologia. Pelo período de dois anos, afastou-se das atividades artísticas. Foi um dos primeiros a registrar depoimento para a posteridade no Museu da Imagem e do Som (1966). Obteve grande repercussão na imprensa e que seria depois reproduzido no livro As vozes desassombradas do Museu (1969).
Recebeu a Ordem de Comendador do Clube de Jazz e Bossa (1967), o Diploma da Ordem do Mérito do Trabalho, conferido pelo Presidente da República e o 5º lugar no II Festival Internacional da Canção, onde concorreu com o choro Fala baixinho (1964), feito em parceria com Hermínio B. de Carvalho. D. Betty, sua companheira por mais de 40 anos, foi internada com problemas cardíacos no Hospital do IASERJ, hospital onde também ele seria internado horas depois. D. Betty nunca soube que seu marido estava também doente. Aos domingos, na hora da visita, ele trocava o pijama pelo terno e subia mais alguns andares para ver a esposa. Ela morreu no dia 07 de junho, sem saber do que acontecia com o marido.
Faleceu vitimado por problemas cardíacos durante a cerimônia de batismo de Rodrigo Otávio, filho de seu amigo Euclides de Souza Lima, realizada na Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. Outros grandes sucessos seus foram Os Oito Batutas (1919), Segure ele (1929), Gavião calçudo (1929), Página de dor (1930), A vida é um buraco (1930), Carnavá tá aí (1930), Patrão prenda o seu gado (1931), Samba de fato (1932), Naquele tempo (1934), Yaô (1938), Os cinco companheiros (1942), Chorei (1942), Cochichando (1944), Ingênuo (1946), Ainda me recordo (1946), Proezas de Solon (1946), Seresteiro (1946), Um a zero (1946), Vou vivendo (1946) e Mundo melhor (1966).


Leia a matéria completa em: Hoje na História, 23 de abril de 1897, nascia Pixinguinha - Geledés 
Follow us: @geledes on Twitter | geledes on Facebook. Créditos ao Geledés.

domingo, 1 de março de 2015

Constituição brasileira e Intolerância Religiosa em Caruaru: dicotomia entre o ideal e o real. Por: Teresa Raquel Silva


Em 5 de Outubro de 1988, foi promulgada em Assembleia Nacional a Constituição do Brasil.
São 27 anos que uma ideologia prega que somos iguais, que somos libertos, que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, conforme o artigo 5º da Constituição Federal.
Duas décadas e sete anos que conforme o inciso I, do § 1º, do artigo 5º da Constituição Federal que: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.  E reafirma o inciso VIII do mesmo artigo, que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa (...)”.
Diante da Carta Magna me questiono para quem e para que existe a lei, quando na vida real, nos deparamos com realidades cruéis, diferentes do ideal.
Há não mais de uma semana, ouvimos de um homem, cidadão brasileiro, caruaruense, sacerdote de cultos de Religião de Matriz Africana, com muita indignação relatar que um vizinho, que não comunga da mesma religião, certo dia de festividade, saiu na rua e gritando xingava o sacerdote de “macumbeiro safado”, “endemoniado”, “catimbozeiro safado”, “satanás”. Achando pouco, começou a jogar pedras em seu Templo, local, aquele sagrado aos homens e mulheres daquela religião. Segundo o relator, ao chegar na delegacia, fez-se um B.O e o mundo de intolerância e desrespeito continuou.

Por essas e outras atitudes é que são criadas tantas outras leis, a exemploda 11.635, de 27 de dezembro de 2007, Contra a Intolerância Religiosa. Parece-nos que a Constituição em si, não dá conta, frente a uma sociedade preconceituosa, racista, intolerante. São tantas leis, tantas leis e o problema continua, pois mais que a Lei, as pessoas necessitam ser educadas para respeitar determinada lei, tomar consciência do por que a lei foi criada e a importância desta ser cumprida.

Apesar das complementações a Lei Magna, a exemplo da LDB(Lei de Diretrizes e Bases da Educação), que é alterada pela Lei 10.639/2003, que versa sobre o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana, ressalta a importância da cultura negra na formação da sociedade brasileira, há pouco aproximadamente dois meses, o Conselho de Igualdade Étnico-Racial do Município de Caruaru, recebeu uma denuncia de uma aluna de escola estadual, também de Religião de Matriz Africana(mais conhecida como Candomblé), foi  vitima inúmeras vezes de Intolerância Religiosa pelos seus colegas de escola e segundo relato da vítima, o preconceito vinha também por parte de alguns funcionários da escola, onde fora forçada a ouvir que a mesma “vendia sua alma ao diabo”, “bebia sangue de demônios”, chegou a ser cuspida, e de tão humilhada, não queria mais frequentar a escola. Esse caso, inclusive, foi relatado numa dissertação de mestrado. Atualmente, através das providências tomadas pelo Conselho de Igualdade Étnico-Racial, o caso já se encontra sob ordem do Ministério Público, estamos nós no aguardo de algum resultado diante a denuncia. Tudo isso aqui, no país de Caruaru.

O mesmo ocorre com outras religiões!A suma deste, é atentar o leitor a diferença que encontramos entre o ideal e o real. A lei é sem dúvida muito bonita, e seria ideal, mas o que nós podemos fazer para mudarmos esta situação real que acontece corriqueiramente não apenas em nossa cidade, mas no Brasil inteiro?

Somos o segundo País mais negro do mundo, só perdendo para Nigéria, daí o questionamento, a não compreensão dessas culturas afrobrasileiras serem “diminuídas” (por não ter sido trazida pela Europa), assim como a Capoeira, que ainda hoje é vista por alguns, como atividade de “malandro”, de “negro vadio”.

Até que ponto, nós negros estamos tendo a visibilidade merecida. Uma cultura tão valiosa que conta nossa história através das cantigas nas rodas de Capoeira. Ora, a lei já está dita, cabe a nós buscarmos alternativas de efetivá-la. A importância desta, não está na sua proclamação, porém, na sua efetivação.

Legalmente, a Roda de Capoeira, a Cultura Tradicional de Povos de Terreiros e demais expressões afrobrasileiras, são patrimônios históricos da nação, mas até que ponto somos aceitos na sociedade? Até quando aquilo que se refere à cultura que adveio da África será inferiorizada, será invisibilizada?

Mais que a Lei, necessitamos fazê-la ser, pois já as temos. Precisamos cada vez mais unir a teoria da prática.

Enquanto não se existe a reforma da Constituição brasileira vamos respeitá-la fazendo-a valer. Inclusive valer os direitos do diferente, daqueles que sempre foram inferiorizados por uma camada da sociedade que ainda hoje se sente superior, seja por questões raciais e/ou pelo status ocupado na sociedade (classe).

É neste sentido, de convidar o outro a refletir sobre a diversidade existente no Brasil, que foi criado o I Bloco Afrocaruaruense Ilê Dandara, tendo sido idealizado pela sra. Lucimary Passos e inúmeros colaboradores para realização. Não é apenas um bloco carnavalesco, mas, um bloco de resistência que unirá diversos segmentos de origem afro para visibilizar tais culturas, através dos homenageados, ícones (em sua maioria negros) que contribuíram para continuação dessas expressões culturais e religiosas na cidade de Caruaru, entre eles: Zé de Nei (In Memorian), Zé do Estado(In Memorian), Regina Lúcia dos Museus, Nino do Rap, Mãe Lourdes de Oxum e Pai Mário de Oyá, que há 60 anos, resistiram e até hoje levam o axé para o povo de Caruaru, nosso inesquecível Gersino do Boi Tira Teima (In Memorian), a Capoeria de Caruaru, através do sr. Marcos Batista do Grupo Ação Capoeira, o Movimento Quilombo Raça e Classe pelo apoio à resistência negra e o estimado Professor José Laércio que trabalha pela implementação da Lei 10639/2003 no Município de Caruaru. O Bloco sairá no dia 07 de Fevereiro às 15h em frente ao Museu do Barro.

É assim, na luta, que vamos diminuindo a dicotomia entre o real e o ideal proposto pela Carta Magna, com pessoas que se inquietam com o real e luta pela realização do ideário proposto pelas leis brasileiras, na tentativa insistente de fazer valer a Constituição da nossa nação.

Leis são para serem cumpridas!

Salve os Negros, suas culturas, seus antepassados, suas ancestralidades!

Vamos fazer valer sim o inciso IV do artigo 3º da Constituição:


“promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

 *Professora graduada em Pedagogia, pós graduanda em Psicopedagogia, estuda a Educação para as Relações Étnico-Raciais com foco na Lei 10639/2003, aluna da Universidade Federal Rural de Pernambuco do Curso de especialização UNIAFRO. Professora efetiva do Município de Caruaru. Membro do Conselho de Políticas de Promoção de Igualdade Étnico-Racial. Membro/ Secretária do Coletivo Ilê Dandara. Membro do Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe.



 * Artigo Publicado em Jornal Extra de Pernambuco em 31 de Janeiro a 6 de Janeiro de 2015.




Amaro Matias e Zezinho: memórias de dois negros caruaruenses. Por Teresa Raquel e Nicodemus Silva



Os honrados que conheceram o grandioso Professor Amaro Matias, sabia como o mesmo era observador dos “talentos” que o rodeavam.
Certo dia, Zezinho, menino negro, alto, que aos 13 anos de idade perdeu o pai e fora abandonado pela mãe, ouviu o gerente do setor da Estação da Compesa, o chamar. Quando Zezinho olhou, Pérola Negra (assim também conhecido, Amaro Matias) ladeava o homem que o chamou.
Zezinho fazia a função de gari e naquele momento, encontrava-se a beira do Rio Ipojuca.
Correndo, Zezinho foi ao encontro de gerente do setor, o qual disse-lhe que o professor Amaro Matias tinha visto suas notas no Elisete Lopes(Caiucá) que percebeu como ele era desenvolto em redação e queria conversar com ele.
Disse-lhe o Professor Amaro Matias que Zezinho era muito talentoso. E para surpresa de Zezinho, Pérola Negra lhe disse: “Zezinho, gostaria de ir à minha casa ler alguns de meus poemas”?                                                            “Posso, agora não, senhor”! Respondeu Zezinho ao professor.
Insistindo, o professor Amaro Matias, pediu para o negrinho magrelo, ir à sua casa ao domingo.
Zezinho como aprendera como seu pai, José Vitorino da Silva, mais conhecido como Pilão da Compesa, era muito pontual. Na verdade, ficou em frente a casa do professor, esperando o relógio sinalizar 3h da tarde. Zezinho tinha fome, pois naquele dia não teve almoço em casa.
Quando Zezinho viu, apareceu o professor Amaro, o chamando através de gestos, ao se aproximar, chamou Zezinho deestoicista, que observava Zezinho dali desde 1h da tarde.
Sem entender ao certo, o que Pérola Negra quis dizer, por ser uma dascaracterísticas do professor palavras refinadas, entrou e não se envergonhou em aceitar o convite para almoçar. Na época, Amaro Matias vivia só. Ao terminar de comer, bebeu um copo de suco. Quando saiu da mesa que veio para a sala, viu em cima de um sofá pérolas como: O tronco do Ipê, Fogo Morto, O cão sem Plumas, Dom Casmurro.
Zezinho nunca tinha visto tanta riqueza: livros com capas de couro, de capas duras, livros lindos e de tantas histórias contadas por aquele negro amoroso e já velho, viu entardecer. Ao dizer que iria embora, Amaro Matias perguntou-lhe: “ trouxe os poemas”?
Envergonhado, Zezinho tira do bolso um envelope surrado, com três poemas. O velho negro que esbanjava nobreza e bondade, sentou e leu extasiado. Disse para o garoto voltar para casa, pois ele iria palestrar no SESC-Caruaru.
Oito dias passados, em frente à Igreja Adventista do Sétimo Dia, entregou a Zezinho seus poemas e num deles estava escrito: “Tens alma de poeta”! Em outro poema: “Gostaria de escrever como você escreve... confie em você, Zezinho”!
Desse dia então, Zezinho ia aos domingos à casa do professor, quando este podia recebê-lo e dizia: “declame Castro Alves”! E no meio da leitura, interrompia o menino dizendo: “erga a cabeça, você está declamando Castro Alves...”!
Hoje, Zezinho, apenas relembra com saudades o tempo que passou. Tem em sua residência uma pequena biblioteca. Mesmo sem nunca ter tido oportunidade de cursar uma faculdade, leu todas as obras e cita com facilidade, Friedrich Nietzsche, Freud, Carl Jungmann, leu ainda o Alcorão, a Bíblia Cristã e “Bhagavad Gita.
Hoje, passado anos, não atende mais pelo apelido dado pelo estimado Amaro Matias. Hoje não é mais o Zezinho de antes. Hoje é Nicodemus Silva, o Nicó de Caruaru.
Tornou-se compositor (tendo músicas gravadas por artistas da terra, como Valdir Santos), é tarólogo e estuda a astrologia. Conhece e dialoga com muitos a teoria da psique, à luz das teorias de Jungmann.
Nicodemus Silva é um erudito, um intelectual não acadêmico.
Amaro Matias e Nicodemus Silva, exemplos de negros que invisibilizaram o preconceito racial da época e tornaram-se ícones das Histórias do País de Caruaru.


*Artigo publicado no Jornal Extra de Pernambuco em Fevereiro de 2015.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Cultura Afro-Caruaruense e o I Bloco Afro de Caruaru: Ilê Dandara Por: Teresa Raquel Silva*



Caruaru, cenário de culturas diversas. Terra divina onde pisa o Boi Tira Teima, onde luta a Capoeira, onde reza as Religiões de Matriz Africana. Terra divina que tem o sopro do Pife, o toque da Zabumba, da Alfaia, a dança do Hip Hop, ilustrada pelo grafite.
Caruaru, palco de histórias negras, que foram silenciadas durante muitos anos e hoje, cansadas do “cale-se”, se unem e dão um grito de liberdade e brindam à resistência de tantos anos sobrevivendo mesmo com o insistente racismo, preconceito e Intolerância Religiosa.
O Bloco Ilê Dandara, sai enquanto um bloco de resistência, de afirmações às diversas culturas, homenageando grandes ícones que fizeram de Caruaru, altar divino em anos passados. Pessoas que sofreram, mas não desistiram e que deixaram seu legado pra ser eternizado pelos que acreditam nessas culturas que durante muito tempo foram subalternizadas, tidas como “cultura dos pobres”, “cultura de massa”. Toda Cultura é Cultura!
Homenageia pessoas (em sua maioria negras) que durante o tempo, acreditamos que não foram valorizadas, tanto quanto deveriam ser, a exemplo do grande Gersino Bernardo do Boi Tira Teima (In Memorian), Nino do Rap, Mãe Loudes de Oxum, Marcos Batista do Ação Capoeira, Pai Mário de Oyá, Regina Lúcia dos Museus de Caruaru, o Movimento Quilombo Raça e Classe pela luta contra o Racismo, Zé de Nei, grande carnavalesco(In Memorian), Zé do Estado. Dez homenageados caruaruenses, que receberão o Prêmio Alfaia de Ouro, no intuito de resgatar histórias de lutas em nome de um coletivo, em nome de um objetivo comum: valorizar a cultura afro-caruaruense.
Salve esses grandes homens!
Salve essas grandes mulheres!
Salve o Ilê Dandara (que também não é um só, mas um Coletivo) que busca resgatar e valorizar cada vez mais a Cultura Afro-Brasileira Caruaruense.


*Mulher negra, professora, caruaruense e integrante do Coletivo Ilê Dandara