sábado, 5 de fevereiro de 2011

A pouco mais de um mês estive em Brasília, Distrito Federal, saudar a querida pessoa do “eterno” Presidente Lula e contemplar a posse da 1ª mulher presidenta em nosso país. Que arquitetura linda, quês praças bonitas, que organização, pareceu que estava em outro país, não no Brasil. Imagina quanto dinheiro foi investido na cidade. Compreendi o título dado a Juscelino de “ Cinquenta em cinco ”.

No entanto, enquanto passeava nas ruas com amigos e amigas todos educadores e de repente pensávamos em como Brasília com toda sua beleza, simboliza a pobreza do Brasil. É como se Brasília tivesse sido construída para que os governantes se refugiassem da triste realidade, principalmente econômica da população brasileira.

Como uma cidade quase “perfeita” como Brasília demonstra essa idéia?

Se pararmos para refletir, uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Educação (MEC), mostra que no Brasil existe cerca de 16 milhões de analfabetos. Para o MEC, apesar de não serem inéditos, os dados do "Mapa do Analfabetismo" são "alarmantes". Milhões de reais chegam todos os meses à Brasília para investimento em educação. O Ministério de Educação juntamente com a UNESCO, o Inep, o PNAD, as conferências internacionais, os conceitos, as teorias educacionais, tantos recursos, tantos programas que poderiam melhorar a qualidade da educação, parecem até que não são compreendidos, não pelos educadores que em muitos casos dão suas vidas para melhorarem a realidade de suas salas de aula, mas das instâncias políticas, a nível nacional, estadual e municipal, onde possivelmente as verbas quando chegam, chegam em menos da metade. Somos um dos países mais alto em relação ao índice do analfabetismo. E enquanto a educação estiver entrelaçada a política, as secretarias governamentais, valendo votos para sicrano e fulano, onde quem é contratado é por amizade e não por concurso, por competência, não será fácil a transformação desse modelo de educação

Daí, os discursos que o professor precisa melhorar, professora tem culpa “nisso”, gestores culpa “naquilo”, alunos culpa naquilo outro, pais são culpados “daquilo” (não que não tenhamos nossas parcelas de culpa). Ou então, simplesmente dizemos: “A culpa é do sistema”, quando o sistema é um conjunto que cada um de nós fazemos parte . Quase nunca reconhecemos e verbalizamos com clareza que a culpa é do governo, das instâncias federal, estadual e municipal.

Infelizmente, dinheiro em Brasília é para manter padrão de vida alto. Já viu ruas sem esquinas? Em Brasília não tem esquinas. Dinheiro em Brasília é para enricar lares já milionários, para aumentar 62% nos salários dos deputados e senadores e 132% o da nova presidenta eleita, o dinheiro de Brasília e de seus ministérios é para intensificar a desigualdade social aumentando em contradição com os governantes apenas R$ 30,00 do salário do trabalhador. Trabalhador este que constrói as escolas, os hospitais, homens e mulheres que limpam as escolas para os filhos dos senhores deputados, dos senhores senadores, dos trabalhadores, que limpam as ruas para manterem organizadas as ruas onde moram, que recolhem os lixos de suas casas, fazem suas comidas, lavam e passam suas roupas, cuidam das plantas das praças, fazem parte de suas vidas despercebidamente.

Saúde, Educação, Lazer, moradia, são direitos sim; da elite brasileira, muito bem representada pela cidade de Brasília sustentada por nós: os que não brincam de trabalhar.

Continuemos na luta companheiros e companheiras!

Sejamos anunciadores sim, mas denunciadores do que nos mata dia a dia.

Teresa Raquel Silva

Professora pedagoga, formada pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru. Funcionária pública da Prefeitura Municipal de Caruaru. Estudou na Escola de Fé e Política - Pe. Humberto Plummen. Integrante da Escola de Meditação. E Timoneira da Teia da Amizade

segunda-feira, 15 de novembro de 2010


Todos sabemos que o hábito da leitura é um grande estímulo à criatividade, imaginação, inteligência, e à capacidade verbal e de concentração das crianças. Sabemos também que os livros deveriam estar presentes no dia-a-dia das crianças, do mesmo modo que seus brinquedos. Os livros nos enriquece a todos e nos leva a mergulhar em aventuras, histórias, e em riquíssimas informações. O livro é uma grande janela para a formação em todos os sentidos.
Pablo Zevallos

Mais que aluno: gente!


Ser solidário com o educando no processo de avaliação significa acolhê-lo em sua situação específica, ou seja, como é e como está nesse momento, para, a seguir, se necessário, confrontá-lo e reorientá-lo amorosamente, para que possa construir-se a si mesmo como sujeito que é (ser), o que significa construir-se como sujeito que aprende (aquisição de conhecimentos), como sujeito que age (o fazer) e como sujeito que vive com outros (tolerância, convivência, respeito).

Cipriano Carlos Luckesi

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

EDUCAÇÃO: CAMINHO PARA A CONSCIENTIZAÇÃO POLÍTICA

Em uma das muitas estradas que já percorri, percebi uma bonita mensagem na parede de um viaduto que dizia: “Para Jesus não eziste impocivel. Fale com Ele.” Ao mesmo tempo pensei na veracidade da frase, soltei (desculpe a sinceridade) um breve riso pela grafia não padrão, encontrada na frase.

Mas, duas coisas despertaram-me. A primeira é que mesmo com erros ortográficos, a mensagem foi passada e detectada por todos que ali passavam e a refletiam e isso nos lembra Bagno em seu livro “A língua de Eulália”, no qual nos diz que não existe linguagem errada, quando se é compreendido o dito (2002, p.35).

No entanto, outro aspecto ficou mais acentuado e posso dizer inclusive, preocupante: a relevância da educação em nossos dias, numa sociedade capitalista, um sistema neoliberal. Não vos falo de uma educação que reporta apenas gramática e regras ortográficas, mas, aquela que faz o homem, a mulher, seres críticos e reflexivos, perdendo a “casca” da “superficialidade”, que permite as pessoas serem manipuladas pelas mãos que oprimem, que detém o poder dentro das esferas política, educacional e até mesmo religiosa.

Quem são o alvo dessas esferas, para quem elas são instrumentalizadas? Será que o sistema minimamente calcula, pensa, arquiteta a educação e a política para os intelectuais, para aqueles que tem liberdade de pensamento usando sua criticidade e autonomia? Por que será que o Brasil é um país de analfabetos? Por que nossas escolas ao contrario de resgatar valores, são ainda, alvo de violências simbólicas e até mesmo físicas? Por que será que embora o discurso educacional seja ético e moral, enquanto “educação” ainda somos autoritaristas, opressores ( aqui muito lembro as formas de avaliação)?

Educação deve ser autônoma. É o princípio do ser critico pensante, ético e político. Abre caminhos, ajuda a encontrar soluções, alternativas, coragem de lutar, de vencer com seu próprio suor e dizer não ao político que tenta comprar votos e amanhã, um outro dia vai querer que o seja seu fantoche. Educação faz dizer sim ao que é de valor e não ao sistema opressor.

Agora reflitam queridos leitores: “ Por que será que temos em nosso país www milhões de analfabetos?

É com essa reflexão que a Teia da Amizade propõe alfabetizar nossos irmãos e irmãs que ainda não sabem ler. Não desejamos, nem sonhamos, queremos e estamos fazendo um Brasil sem analfabetos.

Paz e bem!

Teresa Raquel Silva.*

* TERESA RAQUEL SILVA. Professora graduada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru e Pós- graduanda no curso de Psicopedagogia pela mesma faculdade. Atualmente trabalha na rede municipal de Caruaru, na Escola Laura Florêncio. Participou da Escola de Fé e Política e da Pastoral da Universidade. É colaboradora do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) e hoje honradamente, integrante da Teia da Amizade: Timoneiros da Esperança.
BREVE ANÁLISE DA QUALIDADE EDUCACIONAL.
Teresa Raquel Silva*

“Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade”.
Paulo Freire

Esses dias tenho “matutado”, refletido, pensado bastante, sobre a questão da educação mais especificamente em nosso país. Pensava no paralelo entre o real e o ideal, pensava como consegue esse tema causar um “rebuliço” na mente daqueles e daquelas que são verdadeiramente comprometidos com a educação; a verdadeira educação que transforma homens e mulheres (independente de suas idades), em seres críticos, reflexivos, autônomos, que crêem na vida apesar de suas dificuldades, que acreditam nas pessoas ainda que sejam sujeitos em construção.
Pensava, como (enquanto sujeito simples de uma sociedade que considera importantes, pessoas que têm cargos importantes) podemos contribuir para que a qualidade educacional saia da proclamação e se efetive de fato em nossas salas de aula, em nossas escolas, em nossas cidades, estados, regiões, no país? Até que ponto podemos? Afinal, podemos?
Sim, podemos. Acreditem!
Podemos nas instâncias micro, mas podemos.
Nossa sociedade tem ainda, a crença do macro, mas esse macro só ocorre por causa das partes unidas do micro: são dos pequenos gestos que se concretizam as grandes ações. Segundo Marshall "Os pequenos atos que se executam são melhores que todos aqueles grandes que se planejam." É desse sentimento de poder, que temos que nos deter. Não podemos desacreditar que a mudança é difícil, porém, possível (Freire,1996:76).
De fato, são tantas coisas que vemos, que entristecem-nos...
Uma amiga de nome “X”, trabalha na Escola Municipal “y”, anda muito descontente com sua situação, numa sala de aula com aproximadamente 5metros de largura e 3m cumprimento e que acolhe 25 alunos, as carteiras ficam enfileiradas do modo tradicional, onde nem aluno nem professor pode se movimentar, onde em pleno século XXI usa um quadro de giz, e o espaço entre ela, o quadro e 1ª carteira, tem apenas 2 palmos, onde ela busca fazer atividades diversificadas, mas, não dá. A mesma foi beber água no bebedouro da escola e os alunos gritaram para alertá-la: “professora, não tome dessa água não, que é da caixa e tem ratos mortos e martelos. A senhora não viu a denúncia na televisão não?”. Disse a mesma, que na hora, sentou na cadeira e começou a rir, mas de uma angustia que tomava conta de seu ser e seus pensamentos insistiam em lhe questionar: pra quê tanto estudo meu Deus? Outra vez, contou a mesma, que preparou uma atividade para seus alunos e na hora de mimeografar... mimeógrafo quebrado... Pai, o que fazer?
A resposta vem de FREIRE (1988, p.76), quando nos diz qual a nossa missão enquanto seres aprendentes: “Aprendemos, não apenas para nos adaptar, mas sobretudo para transformar a realidade, para nela intervir, recriando-a”. Ora, é preciso anunciar o bom, mas sobretudo, dialogar com os que “podem” informando o que nos limita a fazer. Recriar, significa transformar, nos pequenos gestos, nas alternativas que encontramos, e isso também inclui comunicar as pessoas que estão encarregadas de desenvolver a política educacional da região. É preciso mais que fazer comunicados, necessitamos de comunicação.

“[...] toda comunicação é comunicação de algo, feita de certa maneira em favor ou na defesa, sutil ou explícita, de algum ideal contra algo ou contra alguém, nem sempre claramente referido. Daí também o papel apurado que goza a ideologia na comunicação, ocultando verdades, mas também a própria ideologização no processo comunicativo” (FREIRE, 1988,p.158).
Essa mesma amiga, dizia ainda angustiada: “acreditas que essas crianças não fazem educação física na escola, por que não tem espaço? Acreditas que as portas da sala, são portas de garagem? Acreditas que a gestora uma vez ficou em 3 salas de 6º ao 9º ano, por falta de professores? Acreditas que o recreio deles é dentro de uma sala? Acreditas que em frente a minha sala tem um fabrico de Jeans que é a tarde toda um som bem alto com músicas de academia de musculação?

O art. 206, VII da Constituição Federal e o art. 3º, inciso IX da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei Federal 9.394/96), estabelecem por sua vez como princípio da educação, a garantia de padrão de qualidade, que passa certamente pela adequação do espaço físico da sala de aula, para um maior conforto do aluno e do professor, assim melhoria das condições de aprendizagem. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei Federal 9.394/96), estabelece ainda no art. 4º, inciso IX que é dever do Estado (Estado e Município), garantir ao aluno: “padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a variedade e quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem.”

Aos que acreditam na educação temos o dever de “re” dizer que esperem, não um esperar por esperar, parado sem ação, mas o esperar da esperança: como o próprio Freire já dizia: “Eu espero, na medida em que começo a busca, pois não seria possível buscar sem esperança. Uma educação sem esperança não é educação. Quem não tem esperança na educação deverá procurar trabalho noutro lugar.”
Busquemos educação, façamos educação, desafiemos os desafios da educação, ousemos, ou não viveremos uma “verdadeira” educação.
“ Se não posso, de um lado, estimular os sonhos impossíveis, não devo, de outro, negar a quem sonha o direito de sonhar” (FREIRE, 1988, p.163).
Vamos à luta companheiros e companheiras!
Acreditemos que a mudança é possível, não por que Paulo Freire nos disse, mas por que vemos todos os dias os sinais dessa mudança, que ainda se faz bebê, mas com nossos pequenos gestos, se fará um dia grande no meio de nós!
Paz e luz!

Teresa Raquel Silva.*

* TERESA RAQUEL SILVA. Professora graduada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru e Pós- graduada no curso de Psicopedagogia pela mesma faculdade. Atualmente trabalha como supervisora na rede municipal de Caruaru, na Escola Josélia Florêncio da Silveira. Participou da Escola de Fé e Política e da Pastoral da Universidade. É colaboradora do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) e hoje honradamente, integrante da Teia da Amizade: Timoneiros da Esperança.