quarta-feira, 18 de abril de 2012

O desafio das águas

O Pantanal, um dos mais importantes ecossistemas do mundo, luta para conciliar desenvolvimento econômico com a preservação do meio ambiente e das populações tradicionais.

Por Leonardo Sakamoto

Lucília Rondon, que vive às margens da rodovia Transpantaneira (MT), mostra compota de sua produção. A fabricação é artesanal, cozido no forno a lenha (ao fundo). Poconé (MT).
Em 1971, abriram a estrada. Antes, era um caminho de carro de boi. “Depois que passou a Pantaneira, acabou o caminho. Mas acabou também o carro de boi, né?” Nos últimos 70 anos, Lucília Rondon viu o mundo de fora chegar à porta de sua casa e tocar de lá o mundo que ela conhecia. No início, serviu refeições aos trabalhadores quando estes vieram abrir a rodovia Transpantaneira, ligando Poconé (MT) a Porto Jofre. Hoje fabrica compotas de frutas para hotéis e turistas. Não sabe se o sobrenome do falecido marido vem do marechal que passou por aquelas terras. O certo, porém, é que a família está lá há mais tempo que o fio do telégrafo que Cândido trouxe.

Nas últimas décadas, o Pantanal, entre os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, vem conhecendo mudanças mais rápidas do que aquelas implantadas por três séculos de ocupação do homem branco. Durante muito tempo, os pantaneiros – descendentes dos antigos colonos e da mistura com os índios, proprietários de direito do local – se moldaram ao ritmo das cheias e vazantes para a criação de gado, a pesca e a agricultura. Agora, ações tomadas pelo “mundo de fora” na busca pelo crescimento podem alterar de maneira definitiva a região, colocando em risco o ecossistema, as populações ribeirinhas e o próprio desenvolvimento.

“Em vez de aproveitar o Pantanal, corremos o risco de esgotá-lo”, alerta Carolina Joana da Silva, professora de pós-graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Assoreamento de rios e córregos, pesca predatória, despejo de esgotos e expulsão de comunidades tradicionais e suas conseqüências são algumas das ameaças à manutenção do meio ambiente abordadas nesta reportagem.

É de reconhecida importância a necessidade de preservação do Pantanal, uma das maiores concentrações de biodiversidade do mundo, declarado recentemente Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco. Repórter Brasil percorreu os dois estados onde ele se situa para discutir que tipo de desenvolvimento deve ser adotado na maior planície alagada do planeta.

Efeito esponja

De outubro a março, com o aumento do calor e a chegada de fortes chuvas, os rios do Pantanal transbordam, avançando sobre a planície. A região retém o excedente do rio Paraguai e seus afluentes, como uma grande "esponja" – liberando água de maneira uniforme entre abril e junho, na época da vazante. No restante do ano, o período seco ajuda a transformar queimadas em incêndios, e as lavouras minguam.

"A cada enchente, há uma renovação de energia, com a entrada de nutrientes no sistema", afirma Carolina Joana. Um exemplo são os dejetos provenientes de ninhais de aves, carregados pelas águas para outros locais – onde servem de alimento aos peixes. As cheias periódicas acabam por ser as principais responsáveis pela manutenção da biodiversidade, além de facilitar a navegação. Qualquer alteração na qualidade da água ou em seu ciclo pode colocar em risco o meio. É o que vem acontecendo no rio Taquari.

Com as cabeceiras na região norte do estado de Mato Grosso do Sul, ele corta o Pantanal até desaguar no rio Paraguai, formando um leque aluvial na sua foz com mais de 10 mil quilômetros quadrados. Possui um potencial de erosão naturalmente alto, segundo Heitor Luiz Coutinho, pesquisador da unidade Solos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Rio de Janeiro. "Há uma confluência de fatores: solo arenoso, topografia acidentada e fortes chuvas de verão, que caem na forma de grandes temporais." A tendência, portanto, é que o Taquari carregue sedimentos em sua descida do planalto para o Pantanal – o que leva a um processo natural de assoreamento da região. O problema é que, nas últimas décadas, a ação do homem acelerou o que a natureza demoraria séculos para fazer.

Fotos de mossoroca aberta em fazenda próxima. Camapuã (MS).
A parte do cerrado localizada no planalto foi colonizada nas décadas de 60 e 70, principalmente por agricultores gaúchos. Sem orientação para trabalhar a terra de acordo com as características da região, eles retiraram a vegetação nativa. A conseqüência foi a elevação da temperatura – devido à incidência direta do sol sobre o solo – que, aliada à umidade, provocou a decomposição da capa de nutrientes. Sem essa proteção, o solo perde a estabilidade e é facilmente levado pelas enxurradas. Esse processo foi agravado pelo aumento na quantidade de chuvas, cuja causa ainda não foi determinada com precisão. Com o tempo, a erosão dá origem a voçorocas – fendas na terra formadas pela força das águas. "Há algumas com até seis quilômetros de extensão. Outras com 80 metros de profundidade", diz José Francisco de Paula Filho, coordenador do Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Taquari (Cointa).

O grande volume de sedimentos carregados para a planície criou regiões mais rasas e permanentemente alagadas, como o leque aluvial do Taquari. Segundo Emiko Resende, pesquisadora e chefe-geral da Embrapa Pantanal, em Corumbá (MS), é o ir e vir das águas que garante o benefício de elementos da época seca no tempo das cheias. Um exemplo são as espécies de peixes que se alimentam dos detritos ou mesmo dos insetos – que proliferam no solo seco – que vêm com as inundações. Mudando o ciclo, isso se perde. A piracema – movimento migratório dos peixes em direção às nascentes do rio para desova – foi prejudicada, pecuaristas e pequenos produtores perderam suas terras. Com os bancos de areia, a navegação também se tornou mais difícil. Em alguns locais, a imagem do baixo Taquari é a de um "paliteiro", com árvores mortas aflorando do espelho-d’água.

A alteração no processo de assoreamento natural também pode prejudicar os pontos de reabastecimento do aqüífero Guarani. Considerado um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do mundo, abrange uma extensa área que inclui parte do território de Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, com capacidade de cerca de 37 mil quilômetros cúbicos. Essa quantidade, numa situação hipotética, daria para abastecer a população brasileira por 2,5 mil anos.

De acordo com Marco Antônio Gomes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), e coordenador do Projeto Aqüífero Guarani, os cursos de água funcionam como alimentadores do aqüífero. "Com o assoreamento, há um processo de impermeabilização da calha do rio, que impede a reposição."

Plantação na bacia dos rios Coxim e Taquari (MS).

Os prejuízos causados pela erosão fizeram com que agricultores alterassem seu método de produção. Muitos adotaram o sistema de plantio direto, em que se estabelece uma nova cultura sobre a lavoura anterior, sem que seja necessária a preparação do solo – o que possibilita sua conservação e maior produtividade. Faltam incentivos governamentais, na forma, por exemplo, de crédito agrícola, tanto para quem faz o manejo correto quanto para os interessados em reabilitar a vegetação e o solo. Heitor Coutinho faz parte do Projeto SOS Taquari, que tem monitorado a degradação das terras com o objetivo de subsidiar os órgãos decisórios quanto às alternativas para a região.

"Hoje a degradação é maior na área de pastagens", afirma o pesquisador. Apenas 13% da área das cabeceiras dos rios Taquari e Coxim têm aptidão para a agricultura, concentrada principalmente nos municípios de São Gabriel do Oeste e Costa Rica (ambos em MS); o restante está sendo destinado à pecuária.

"Cerca de 92% da vegetação natural da bacia do Taquari foi substituída por pastagens e plantações", lembra Francisco de Paula. Com as perdas econômicas, os pecuaristas também estão procurando mudar de comportamento. Soluções passam, por exemplo, pela manutenção e plantio de árvores nativas do cerrado.

Segundo Márcio Antônio Portocarrero, secretário estadual de Meio Ambiente, Cultura e Turismo de Mato Grosso do Sul, o problema dos rios Taquari e Coxim deverá ser resolvido com os recursos do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Pantanal. Maior projeto ambiental financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na América Latina, prevê a liberação de US$ 400 milhões para os dois estados, a serem investidos em obras de infra-estrutura, preservação das comunidades indígenas e combate a práticas agressoras ao ecossistema, entre outros. Porém, organizações não-governamentais têm criticado tanto a falta de transparência e de mecanismos que garantam a participação popular na tomada de decisões quanto sua estrutura burocratizada.

Um projeto piloto para testar soluções alternativas para os problemas de assoreamento deverá ser implementado a partir do próximo ano. Isso, no entanto, vai depender dos recursos disponíveis, uma vez que está prevista a liberação pelo governo federal de apenas R$ 2,4 milhões dos R$ 38,5 milhões destinados ao programa em 2002.

Lagoa da Princesa, nascente do rio Paraguai. Entre Diamantino e Alto Paraguai (MT).
Assim como acontece no Taquari, as nascentes do rio Paraguai também sofrem com o assoreamento, e em volta delas ocorre desmatamento para implementação de monoculturas, principalmente de soja. "O resultado é que, a cada ano, a baía dos Malheiros, que banha a cidade de Cáceres (MT), vai ficando mais rasa", afirma Solange Ikeda, professora do curso de Ciências Biológicas e Agronômicas da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat).

Ao contrário do que ocorreu em 2001, quando incêndios atingiram o Pantanal e a chapada dos Guimarães, em 2002 houve menor incidência de focos de fogo no estado de Mato Grosso. De acordo com Romildo Gonçalves, coordenador estadual do Centro Nacional de Prevenção de Incêndios Florestais do Ibama, isso decorreu do fato de 85% dos produtores rurais terem respeitado a portaria que disciplina as queimadas – prática proibida entre julho e setembro, meses críticos de seca.

Contaminação

Em cidades do Pantanal, é comum ver emissários lançando dejetos residenciais, industriais e hospitalares em rios e córregos sem nenhum tratamento. O problema do saneamento básico é grave e gera protestos de moradores e entidades de preservação do meio ambiente. Cáceres, de acordo com o Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possui cerca de 21,3 mil domicílios permanentes, dos quais apenas 11% têm acesso à rede de esgoto. Em Corumbá, com 22,3 mil, esse índice é ainda mais baixo: apenas 8%. O Programa Pantanal prevê obras de saneamento básico, mas os cortes de verbas feitos pelo governo federal fizeram com que vários locais, como Cáceres, não fossem contemplados por enquanto.

Em setembro, o Fórum de Lutas das Entidades de Cáceres (Flec), composto por grupos da sociedade civil como o Centro de Direitos Humanos, sindicatos de trabalhadores e ONGs, realizou uma manifestação de protesto durante o Festival Internacional de Pesca para alertar dos riscos ambientais a que estão sujeitos o rio Paraguai e seus afluentes. Os cinco principais córregos que atravessam a cidade estão contaminados com altos índices de coliformes, o que põe em risco a saúde da população e o desenvolvimento do turismo.

Jacarés tomando sol (MT).

O rio Cuiabá corta a capital mato-grossense e segue para o Pantanal, depois de receber 400 mil litros de esgoto todos os dias, e pouco mais de 20% desse total é tratado. Boa parte do lixo também não tem destinação adequada. "A sujeira desce direto: garrafas plásticas, sacos de lixo. E o que afunda, a gente não vê", lembra Benedito Alves, o Dito Verde, pantaneiro de Porto Cercado (MT), no município de Poconé.

Os agrotóxicos utilizados pelas monoculturas que circundam as cabeceiras dos rios são outro problema, cujo potencial, porém, ainda não foi dimensionado. Nessa região de planalto, extensas plantações de soja e, nos últimos anos, de algodão (que usa uma quantidade maior de defensivos químicos) dominam a paisagem, subindo até o Pará. A ampliação da área cultivada implica sempre o aumento do emprego de agrotóxicos.

"As coisas já mudaram muito, mas a situação continua difícil. A conscientização da necessidade de preservação ecológica é muito pequena", desabafa Wanderley da Silva, técnico do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) em Diamantino (MT). O instituto fornece orientação quanto ao manejo correto dos agrotóxicos, o melhor período para sua utilização e o tratamento do material não-aproveitado. Há produtores que, para baratear os custos, facilitar o serviço ou mesmo por desconhecimento, empregam técnicas inadequadas, abrindo caminho à contaminação do solo e da água. Por exemplo, o 2,4-D, desfolhante largamente empregado no pasto e na agricultura, é muito tóxico para os peixes. Carolina Joana, da UFMT, afirma que os biocidas estão chegando ao Pantanal e já foram encontrados resíduos nos sedimentos das baías de Chacororé e Sinhá Mariana, ambas no rio Cuiabá, próximo a Barão de Melgaço (MT).

As pesquisas que podem dar um panorama geral da situação estão apenas começando. Em parceria com a UFMT, a Embrapa Pantanal coordena o Projeto Ecológico de Longa Duração, com financiamento do CNPq. O objetivo é monitorar a presença de agrotóxicos na região até 2010 para averiguar como e quanto dessas substâncias estão chegando à planície. "Por enquanto não é possível saber qual o efeito delas no meio", revela Márcia Divina, pesquisadora da Embrapa e responsável pela parte relativa a recursos hídricos do projeto.

Segundo Eliana de Carvalho Dores, professora de química da UFMT, foram encontrados poucos princípios ativos e em baixas concentrações, provavelmente devido ao grande volume de água na região e também ao curto período em que os produtos permanecem ativos na natureza. "Não que isso não aponte um problema. São necessários monitoramentos de longo prazo."

Mestre Pombo, antigo garimpeiro e mestre de obras, ao lado da esposa. Alto Paraguai (MT).
Herança

O garimpo retirou, ao longo dos séculos, uma enorme quantidade de ouro e de diamantes de Mato Grosso. Não deixou muita gente rica, mas causou um grande estrago nos rios devido ao uso de mercúrio e ao assoreamento provocado pelas dragas. "As cidades mais pobres do estado são as de garimpo. Não houve aplicação produtiva, gastou-se tudo o que foi ganho", lembra o sociólogo João Carlos Barrozo, coordenador do Núcleo de Estudos Rurais e Urbanos da UFMT.

Dionísio Tanan, o Mestre Pombo, nascido em 1912, veio de Salvador, pingando em Lençóis (BA) e nos estados de Minas Gerais e Goiás até chegar onde hoje está a cidade de Alto Paraguai (MT). Por fim, pegou carona num caminhão de transporte de borracha que seguiu a estrada que acompanhava o fio do telégrafo. Era agosto de 1943. Trabalhando na construção civil, ergueu as primeiras casas de alvenaria. Conta que, ao cavar a terra para fazer as fundações, encontrava diamantes. De meados de 1970 até a década de 80, foram instaladas dezenas de dragas. A água do Paraguai e de seus afluentes chegou a ser puro barro.

"Acabaram com a mata ciliar", diz Manoel Messias Alves, diretor da Associação Diamantinense de Ecologia, criada em 1987. Através de 25 ações civis públicas, foram retirados 700 garimpeiros das cabeceiras do rio Diamantino. Além disso, plantaram-se 75 mil mudas, como jenipapo e pequi, nas áreas degradadas, incluindo sete mil na região da lagoa da Princesa, a principal nascente do Paraguai. O assoreamento provocado pelas dragas diminuiu consideravelmente, e a água está mais limpa. Mas ainda é necessário tapar as catras (buracos feitos pelo garimpo) e continuar o reflorestamento. Essa mudança também só foi possível porque a produção despencou e a fiscalização ambiental melhorou. Alguns garimpeiros migraram para a região norte, em busca de terras menos exploradas – como as reservas indígenas.

Rio Paraguai em Alto Paraguai – cascalho como herança do garimpo no leito do rio.

Em Poconé, na entrada do Pantanal, crateras gigantescas nos antigos locais de extração formaram lagoas, devido a minas de água. Ainda há empresas mineradoras em operação, mas em número bem menor. Muito do mercúrio utilizado na separação do ouro caiu em rios e córregos e, lentamente, segue em direção ao Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense, próximo do qual já foi detectado, inclusive em alguns peixes. Ainda não é possível saber quais os seus efeitos no ecossistema da planície.

Iscas

Para muitos, Pantanal é sinônimo de peixe. Por isso, durante todo o ano, é possível encontrar à venda anzóis vindos de São Paulo e da região do Triângulo Mineiro. A chamada pesca esportiva movimenta a economia de diversos locais, tendo à frente cidades como Coxim (MS), Cáceres, Corumbá e Poconé. De donos de chalanas e piloteiros de voadeiras (lanchas de alumínio) a pousadas, hotéis e restaurantes, são muitos os que prosperam. Menos o peixe.

De acordo com o Serviço de Controle da Pesca e Aqüicultura de Mato Grosso do Sul, há uma tendência de sobrepesca para o pacu e o jaú – duas das cerca de dez espécies comerciais da região. Por essa razão, o Conselho de Pesca do estado aumentou o tamanho mínimo de captura desses peixes.

Além da suspensão do cadastramento de novos pescadores profissionais, o governo estadual, através de decreto, impôs no início deste ano uma redução gradativa da captura de pescado. Em 2002, o turista pode levar um exemplar de qualquer peso, de acordo com os limites mínimos para cada espécie, mais 12 quilos de peixe. Essa quantidade irá diminuindo até 2005, quando será permitido retirar apenas um exemplar. O objetivo é estimular o pesque-e-solte para garantir o estoque pesqueiro. O Festival Internacional de Pesca de Cáceres, que reuniu em 2001 cerca de 1,2 mil pescadores em 400 equipes, tem adotado essa prática.

"Com isso, se pretende estabelecer condições para a recuperação da população de peixes, eliminando a figura do pescador predador que, além de levar nossos peixes, deixa lixo às margens ou dentro de nossos rios", afirma o secretário Portocarrero. O estado também está proibindo atividades em rios com ecossistemas frágeis ou que sejam berçários de peixes.

Em uma ação no mês de agosto, a Polícia Militar Ambiental (PMA) de Corumbá abordou seis pescadores no rio Taquari com cerca de 400 quilos de peixe. Utilizavam rede, que, junto com a tarrafa e o espinhel, está proibida no Pantanal. Em 2001, 2,9 toneladas de pescado foram apreendidas na área de atuação desse pelotão da PMA. No entanto, ele conta com um efetivo de apenas 33 homens – quando o ideal seria algo entre 80 e cem, para cuidar de uma área de 66 mil quilômetros quadrados. Segundo o capitão Joílson Queiroz Santana, além da pesca predatória, as queimadas e o desmatamento, principalmente da aroeira, são os mais sérios problemas.

Policias do pelotão de Polícia Militar Ambiental de Corumbá mostram os fantoches utilizados para educação ambiental de crianças. No centro, Joílson Queiroz Santana, capitão do pelotão. Corumbá (MS).
Os policiais também visitam escolas e, através de um teatro de fantoches – que representam elementos da realidade local, como o pescador, a onça e o jacaré –, conscientizam as crianças da importância da preservação do meio ambiente. Detalhe: os fantoches são fabricados pelos próprios policiais. Só no ano passado, mais de 36 mil pessoas assistiram ao espetáculo. A experiência, agora, começa a se espalhar pelo estado.

A PMA de Poconé está em situação mais delicada. Tem 13 homens, quando seriam necessários cerca de 70, e enfrenta a falta de condições materiais. Para vencer as estradas de terra, cheias de ondulações, o subtenente Humberto de Oliveira tem um jipe Toyota velho e duas motos – que rodam quando há gasolina. Um barco de 5 metros e outro de 7, no qual entra água, é toda a frota. "O governo é bastante demagogo com o meio ambiente. Há muita propaganda defendendo-o, mas a realidade é outra coisa." Um motor de 15 HP para lancha foi doado por um empresário da cidade. "Não dá para ficar esperando cair do céu." Até porque no céu há outras prioridades. Devido à fiscalização na Rodovia Transpantaneira, o transporte de pescado vem sendo feito por avião, com a utilização de pistas de pouso das fazendas. Apesar de tudo isso, a Lei de Crimes Ambientais, que instituiu penas e multas rigorosas, ajudou a diminuir a pesca ilegal.

Emiko Resende coordena um trabalho relacionado aos peixes que têm grande exploração comercial. Como prevenção, está sendo coletado o sêmen de 50 exemplares de cada espécie nas bacias dos rios Taquari e Miranda, de modo a assegurar sua diversidade genética. Pacu, dourado, cachara, pintado e piraputanga são alguns dos escolhidos. Segundo a pesquisadora, é uma garantia para o futuro, no caso de haver redução de estoques ou até ameaças de extinção. O que não é difícil, tendo em vista o histórico brasileiro.

O governo de Mato Grosso do Sul tem um projeto em estudo para transformar o pescador profissional em produtor, fomentando associações e gerando infra-estrutura para a criação de peixes em tanques, assim como seu beneficiamento e comercialização, além de programas de capacitação para produção e ecoturismo. Pescadores locais, muitos dos quais ainda utilizam técnicas artesanais, vivem do peixe há mais tempo do que as empresas que trazem turistas com suas varas de fibra de carbono. Em torno da pesca tradicional, há toda uma cultura que deve ser preservada. Até porque eles não são o vilão da história, uma vez que 80% dos peixes extraídos dos rios de Mato Grosso do Sul são oriundos da pesca amadora.

Jovens pescam na saída da tubulação de esgoto. Corumbá (MS).

Segundo Antônio Carlos Diegues, coordenador do Núcleo de Apoio à Pesquisa sobre Populações Humanas em Áreas Úmidas Brasileiras (Nupaub), da Universidade de São Paulo, as restrições à pesca no Pantanal acabaram por penalizar o ribeirinho. "O governo tem adotado a prática sistemática de empurrar essas populações de pescadores tradicionais para o turismo." Muitos acabam se tornando piloteiros, caçadores de iscas, criando um elo de dependência com fazendas, pousadas e empresas. Outros migram para as cidades, engrossando a massa de desempregados.

A necessidade de criar condições para a implantação de estrutura comercial em associações ou cooperativas vai depender, em grande parte, de as agências de fomento do governo disponibilizarem crédito a juros baixos e adaptarem as garantias pedidas às possibilidades dos pescadores. Hoje, muitos pequenos produtores em vários cantos do Brasil não conseguem tomar empréstimos porque as contrapartidas são irrealistas.

Diegues aponta também, como possível solução, a criação de reservas extrativistas, nas quais as populações poderiam gerir os recursos de maneira eficiente, com a legalização de um conjunto de manejos já tradicionais.

Bombeiro do Pantanal

A pecuária é a atividade mais tradicional e de maior importância econômica na planície. O rebanho bovino já foi muito maior: na década de 60, chegou a quatro milhões de cabeças no Pantanal Sul. Hoje, gira em torno de 1,5 milhão. Nesse período, segundo José Aníbal Comastri, da Embrapa Pantanal, houve diminuição em função de enchentes (na década de 70, uma grande inundação pegou animais e produtores desprevenidos) e da descapitalização do setor, devido à falta de recursos e incentivos governamentais para o desenvolvimento da produção.

"O gado é o grande bombeiro do Pantanal, pois evita o acúmulo de massa que seria queimado na época seca", afirma. Isso faz com que as ocorrências de incêndio sejam menos graves. Além disso, garante que as espécies de pasto de porte mais alto, como o rabo-de-burro e o capim-vermelho, não se sobreponham às menores. "Na área em que há gado existe uma biodiversidade maior do que naquelas em que ele não está presente."

A pecuária tradicional na planície não usa agrotóxico nem adubo. Mas, aos poucos, pessoas de fora, sem o mesmo comprometimento com a região, estão comprando terras e implantando criações. "Se o pantaneiro for substituído por pecuaristas de outro lugar, como já tem acontecido, o efeito será devastador para o ambiente. Eles não têm essa cultura de 200 anos, passada de pai para filho", alerta Comastri. Quando chegou, o homem não conseguiu domar a região. Então, moldou-se a ela ao longo dos anos, adotando uma pecuária extensiva, de produtividade mais baixa mas que propicia a convivência harmoniosa com outras espécies e com o ciclo das cheias. Por desconhecimento das áreas em que o pasto nativo é mais adequado, os novos pecuaristas estão plantando pastagens exóticas e substituindo a vegetação nativa.

Pôr-do-sol em lagoa próxima ao rio Paraguai (MT).
Uma saída para a manutenção dos pantaneiros é a criação de gado orgânico. Essa prática, que exige o uso de pastagens naturais, isentas de herbicidas, e a adoção de cercas que permitam a livre movimentação de animais selvagens, tem atraído um número apreciável de pessoas em todo o mundo, interessadas na produção ecologicamente correta. No Brasil, há um nicho de mercado considerável, principalmente nas classes A e B do sudeste.

A Conservation International do Brasil, através de um projeto piloto em parceria com o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, estudou a implantação desse tipo de produção na região e seu potencial de comercialização nos mercados interno e externo. Seis empresas participaram do programa, e a Fazenda Eldorado, em Corumbá, foi a primeira propriedade do Pantanal a obter a certificação para pecuária orgânica.

Muitas fazendas de gado também descobriram uma outra vocação: o ecoturismo. José Hernando Aguilar, o Nenito, de 75 anos, exportou carne charqueada para a Europa e comercializou muito gado com os paulistas num tempo em que o boi marchava por 90 dias até seu destino, em vez de viajar de caminhão. Então resolveu mudar de negócio e criou a primeira fazenda de ecoturismo do Pantanal, no final dos anos 70: a Santa Clara, que funcionou por 18 anos na região do rio Miranda.

"Eu fazia reunião com os fazendeiros, e eles me chamavam de louco. ‘O que você mostra para esse povo?’, perguntavam." O Brasil ainda começava a engatinhar no mercado do turismo ecológico, e as agências de viagens de São Paulo, na época, não deram muita atenção ao projeto de Aguilar. Por isso, a quase totalidade da clientela era de estrangeiros: europeus, japoneses, israelenses, ou empresas multinacionais instaladas no Brasil. "Havia dias em que tínhamos hóspedes de 16 países dentro da pousada."

Outras vieram depois. A mais famosa é o Refúgio Ecológico Caiman, também no Pantanal Sul, propriedade do grupo Klabin, que alia a criação de gado ao turismo em uma reserva ecológica particular.

O pantaneiro Dito Verde, com sua viola, às margens do rio Cuiabá. Porto Cercado (MT).

Utilizar a experiência do homem do Pantanal rende bons frutos. Dito Verde, de 56 anos, sempre plantou, pescou e criou seus animais no mesmo lugar, às margens do rio Cuiabá. Chamado invariavelmente para as festas de santos e do Divino para tocar o cururu, já foi longe sua fama de bom tocador de viola-de-cocho, típica de Mato Grosso. Costuma receber visitantes e pesquisadores que desejam conhecer de perto a "vida do homem pantaneiro". Após a implantação do Sesc Pantanal, em Porto Cercado, Dito Verde passou a receber salário do hotel para ser uma espécie de guia turístico.

Em Coxim, onde a pesca predatória é intensa, o Conselho Municipal de Turismo procura solucionar esse problema trabalhando com uma incubadora de agências e operadoras na montagem de pacotes de ecoturismo. Há anos, vêm-se desenvolvendo ações de recuperação e conservação da antiga Rota das Monções, vetor de expansão do país na direção oeste no século 18. De acordo com Ariel Albrecht, assessor técnico do conselho, o objetivo é resgatar a cultura das monções e sua influência na formação do povo do Pantanal, além de transformar a rota em atrativo turístico.

Porém, mesmo o ecoturismo não pode ser tomado como remédio milagroso. Sua introdução de maneira incorreta e sem planejamento pode, como qualquer outra atividade econômica, alterar de modo significativo o meio ambiente. Para ser abertos ao público, locais como rios, lagoas e cachoeiras também precisam passar por um estudo de impacto a fim de determinar a forma correta de exploração e a quantidade máxima de visitantes por dia.

A abertura ou o asfaltamento de vias de acesso para facilitar o escoamento da produção agropecuária e o turismo também precisam de atenção. No Pantanal, a construção de estradas altera a circulação das águas, além de trazer um grande número de turistas a um local que nem sempre está preparado para isso.

E o povo?

Espalhadas pelo Pantanal, há várias famílias isoladas, que não podem ser avistadas nem em sobrevôo de monomotor. Se estão no meio da planície, criam gado. Na margem dos grandes rios, como o Cuiabá e o São Lourenço, pescam, cultivam e também possuem alguns animais. Já no Paraguai, onde grandes fazendas chegam até às margens do rio, existem menos casas. Mas há indios, empurrados ao longo dos séculos pelo homem branco, que trouxe doenças e lhes tirou a terra.

Quando reunidos em comunidade, o grupo ainda consegue defender o interesse comum e se fortalece. Já famílias isoladas são mais suscetíveis a propostas e ações externas. Há aqueles que acabam por aceitá-las, vendem sua terra a pescadores paulistas e continuam como caseiros. Outros vão embora tentar a vida. Segundo Salvador Soltério de Almeida, presidente da Cooperativa Mista de Produtores Rurais de Poconé, dos pescadores que venderam suas terras para a implantação do hotel Sesc e de sua Reserva de Preservação do Patrimônio Natural (RPPN) em Porto Cercado, muitos não conseguiram emprego na cidade. Não são raros os casos de alcoolismo.

Perto de Cáceres, um fazendeiro expulsou 21 famílias, algumas das quais já habitavam a terra há mais de 70 anos. Durante um ato público para lançar um abaixo-assinado pela retomada da posse da área, chegou a haver ameaças por parte de pessoas, incluindo políticos locais, ligados ao fazendeiro. Afinal, a Comissão Pastoral da Terra, ligada a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), uma das organizadoras do ato, queria “bagunçar com a ordem da cidade”. Era 6 de janeiro de 1997, dia da Folia-de-Reis.

Padre Isidoro Salomão, coordenador das Comunidades Eclesiais de Base (CEB), Pastoral da Terra (CPT) e do Centro de Direitos Humanos de Cáceres. Já tentaram assassiná-lo várias vezes devido à luta pela reforma agrária na região.
Segundo o padre Isidoro Salomão, coordenador das Comunidades Eclesiais de Base (CEB), membro da CPT e da Sociedade de Direitos Humanos de Cáceres, era muito comum fazendeiro grande expulsar as populações tradicionais. Pessoas foram pagas para matá-lo, mas não cumpriram o serviço. Ele teve que fugir várias vezes, sempre perseguido por jagunços. Depois de muitos problemas, o povo de Cáceres é, hoje, uma exceção na mobilização popular na luta pela reforma agrária no Pantanal.

Mesmo assim há muitas áreas de terras irregulares ou improdutivas e a agricultura familiar segue a duras penas. “Toda a política é feita para o grande fazendeiro. Quem trabalha no braço não consegue competir com o que tem trator”, desabafa Neuzo Antônio de Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade.

Uma alternativa para a facilitar a inserção econômica do pequeno produtor está sendo desenvolvida pela Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), que fornece suporte técnico às comunidades para que deixem de utilizar agrotóxicos e optem pela cultura orgânica. A Fase também realiza pesquisas de mercado para comercialização dos produtos, apóia o estabelecimento de feiras permanentes, onde a venda é feita diretamente ao consumidor, e ajuda a formular políticas públicas com base nos projetos desenvolvidos. De acordo com Leonel Wohlfahrt, engenheiro agrônomo da Fase, o principal público-alvo são os migrantes, uma vez que as populações tradicionais possuem uma maior cumplicidade com a terra, sem a cultura de uso de defensivos químicos.

É o exemplo de Geraldo Cebalho de Oliveira. Ele é um morroquiano – como são chamados as pessoas da região da morraria. Remanescentes das antigas sesmarias, essas famílias habitam a região há séculos. Ele mora em Exu, um povoado a mais de 60 km de Cáceres por estrada de terra. Antigamente, ia de canoa pelo rio Paraguai à cidade fazer as compras. A ida, na época da cheia, levava um dia. A volta, entre oito e dez. Para dormir, caçava algum lugar seco no barranco. Planta milho, arroz e feijão, mas não vende excedente, pois não tem como pagar o frete. Não usa agrotóxicos. De vez em quando, o tio da esposa é chamado para benzer as plantações da região e livrá-las da cigarrinha. E os santos da casa fazem as vezes de médico, devido à distância com o hospital da cidade.

Para sobreviver, Lucília Rondon – a pantaneira do início dessa reportagem –começou a produzir compotas de laranja, limão, goiaba, abacaxi, coco, frutas que plantava no quintal de casa. Ao invés do açúcar, rapadura feita com engenho de madeira puxado a burro. No começo, era um carrinho de mão de porta em porta em Poconé. Hoje, os doces são vendidos a hotéis de Mato Grosso e a turistas, o que garante um rendimento à família. Presidente da Associação de Moradores de Pedra Viva, que reúne 15 famílias, reclama que o governo “nunca ajudou em nada.” Fizeram um projeto de agricultura familiar, que nunca foi aprovado. Com pequenos recursos daria para evitar o êxodo rural e gerar empregos.

Geraldo Cebalho com a esposa em sua casa no povoado e Exu, no caminho entre Cáceres e Barra dos Bugres (MT). Ao fundo, as imagens de santos da casa.

Muitas das populações tradicionais, pequenos produtores, pescadores, criadores não acompanharam a velocidade das mudanças pela qual a região do Pantanal tem passado. Mas também não deveriam. Eles, ao longo dos séculos, adaptaram-se ao meio no melhor exemplo possível de desenvolvimento sustentável, enquanto hoje muitos buscam adequar a região às suas necessidades econômicas – ignorando a complexidade desse sistema. A própria urbanização, feita sem planejamento, com aterros mal feitos, muitas vezes não considerou a dinâmica dos rios e das cheias da região. “Nós tivemos 300 anos de desenvolvimento desordenado”, lembra José Francisco de Paula Filho, coordenador do Cointa.

Garantir acesso dessa população a seus direitos básicos, como educação, ao invés de forçar que abandonem seu lugar na busca por eles nas cidades é um bom começo. Ao mesmo tempo, desenvolver as múltiplas vocações da região como a pecuária, a pesca e o turismo, tendo em vista os problemas já enfrentados e as experiências extraídas. “Seria idiotice de nossa parte ter o Pantanal como aquário”, completa.

Para isso, é imprescindível o apoio à pesquisa científica na região. O remanejamento de verbas do governo federal para atingir seu superávit primário nas contas públicas pode agradar o mercado, mas será um tiro no pé do país. Muitos projetos financiados pelo CNPq correm o risco de minguar ou simplesmente parar devido à falta de recursos. Pesquisadores da Embrapa em todo o Brasil têm que fazer um exercício diário de milagres – a instituição teve 60% de seu orçamento cortado este ano. E sem estudos aprofundados, será muito difícil guiar um desenvolvimento sustentável para o Pantanal.

Enquanto isso, Lucília diz que cansou de lutar. Pois, o que ela enxerga, além das cheias, não é tão hospitaleiro como antes. “Ali, era um arraial de povo. Tinha festa demais, de Conceição, de São Benedito, de São João. Cada família fazia a festa de um santo na sua casa. Era a coisa mais bonita do mundo. Dançava cururu, siriri, brinquedo de roda, baile de sanfona. Hoje, se não vier conjunto de Poconé, não tem festa. Fico mordida com isso!”

Pantanal, 2o semestre de 2002

Crianças bebiam água do gado em fazenda de deputado flagrada com escravos

Crianças bebiam água do gado em fazenda de deputado flagrada com escravos

Crianças bebiam a mesma água que o gado na fazenda Bonfim, zona rural de Codó, Estado do Maranhão, de onde foram resgatadas sete pessoas de condições análogas às de escravo após denúncia de trabalhadores. Retirada de uma lagoa suja, ela era acondicionada em pequenos potes de barro e consumida sem qualquer tratamento ou filtragem, a não ser a retirada dos girinos que infestavam o lugar. Os empregados também tomavam banho nesta lagoa, e, como não havia instalações sanitárias, utilizavam o mato como banheiro.

Entre os controladores da propriedade, aparece um deputado estadual. Não é a primeira que um político é envolvido em casos desse tipo no Brasil. O Ministério do Trabalho e Emprego já realizou operações semelhantes em fazendas pertencentes aos deputados federais Inocêncio Oliveira (PR-PE), a Beto Mansur (PP-SP), entre outros. Neste ano, o Supremo Tribunal Federal já aceitou a denúncia contra dois parlamentares por trabalho análogo ao de escravo: o senador João Ribeiro (PR-TO) e o deputado federal João Lyra (PSD-AL).

A libertação aconteceu em março e foi realizada por ação conjunta de Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão, Ministério Público do Trabalho e Polícia Federal. Abaixo, trechos da reportagem de Bianca Pyl, da Repórter Brasil:

A propriedade de criação de gado de corte em que foram flagradas condições degradantes foi atribuída à empresa Líder Agropecuária Ltda, da família Figueiredo, que tem como sócios o deputado estadual Camilo de Lellis Carneiro Figueiredo (PSD/MA). Ele afirmou desconhecer as denúncias e disse que a fazenda é administrada por seu pai, Benedito Francisco da Silveira Figueiredo, ex-prefeito de Codó, que – por sua vez – nega que seja administrador e alega que não há trabalhadores na propriedade, “apenas moradores”.

Os trabalhadores resgatados cuidavam da derrubada do mato para abertura de pasto e ficavam alojados em barracos feitos com palha. Os abrigos não tinham sequer proteção lateral, apesar de serem habitados por famílias inteiras, incluindo crianças. Os resgatados declararam aos auditores fiscais que em noites de chuva as redes onde dormiam ficavam molhadas e que todos sofriam com o frio. Todos comiam diariamente café com farinha pela manhã, e arroz com feijão nas demais refeições. A maioria dos trabalhadores era de mesmo de Codó e estava há cerca de dois meses na fazenda.

“Todas as irregularidades e ilegalidades constatadas constituíram total desrespeito a condições mínimas de dignidade da pessoa humana, distanciando-se da função social da propriedade e ferindo assim, além dos interesses dos trabalhadores atingidos, também o interesse público”, explica Carlos Henrique da Silveira Oliveira, auditor fiscal do trabalho e coordenador da ação. As verbas rescisórias totalizaram mais de R$ 25 mil.

Por telefone, o deputado se disse surpreso ao ser informado pela reportagem sobre a libertação na Fazenda Bonfim. “Isso de trabalho escravo é novidade para mim. Até agora não tomei conhecimento desta situação, vou entrar em contato agora para saber o que houve”, disse.

PEC do Trabalho Escravo - A proposta de emenda constitucional 438/2001, que prevê o confisco de propriedades onde trabalho escravo for encontrado e sua destinação à reforma agrária ou ao uso social urbano, deve ir à votação no dia 08 de maio. Os líderes da Câmara dos Deputados teriam acertado a entrada da matéria na agenda de votações.

Aprovada em dois turnos pelo Senado e em primeiro pela Câmara dos Deputados, a PEC está engavetada desde 2004, por pressão de membros da bancada ruralista e por falta de articulação por parte do próprio governo federal, que não foi capaz de furar o “bloqueio” imposto à proposta. Ela faz uma alteração ao artigo da Constituição que já contempla o confisco de áreas em que são encontradas lavouras usadas na produção de psicotrópicos. Se considerarmos as versões anteriores do projeto, a proposta está tramitando no Congresso Nacional desde 1995.

domingo, 1 de abril de 2012

Um povo rico em culturas

A população brasileira é formada de gente dos mais diversos grupos étnicos. Um grupo étnico é um conjunto de pessoas que têm a mesma origem e cultivam os mesmos costumes e histórias. Temos descendentes de africanos que foram trazidos há mais de 400 anos na condição de escravos.

Temos também descendentes de asiáticos, como os japoneses que imigraram para o Brasil há 100 anos para trabalhar nas lavouras, e os descendentes de indígenas, que já viviam aqui muito antes que os portugueses colonizadores chegassem

Essa diversidade é uma riqueza. Riqueza, sim, porque muita gente de hábitos de vida, modos de pensar e religiões tão diferentes cria uma convivência única no mundo. Você mesmo, com certeza, sabe algumas palavras indígenas: xará e pipoca, por exemplo.

Os portugueses nos trouxeram muitos de nossos doces, como o quindim, o arroz-doce e as compotas de frutas. Os africanos nos ensinaram palavras como canjica, jiló, zangado, cafuné e também a culinária. Muitas das frutas que temos hoje foram trazidas pelos europeus e outras cultivadas pelos africanos. E temos muitos outros hábitos herdados de japoneses, alemães, espanhóis... Ufa! uma lista que não tem fim.

Só por esses pequenos exemplos já deu para perceber que o Brasil possui uma das maiores diversidades étnico-raciais e lingüísticas do mundo. Apesar disso, ainda estamos longe de assegurar que cada criança e cada adolescente, sejam eles negros, indígenas ou brancos, tenham seus direitos garantidos, protegidos e respeitados igualmente, independentemente de suas diferenças.

Fonte: http://www.unicefkids.org.br/pag_texto.php?pid=56

quinta-feira, 29 de março de 2012

Nu como a um anjo te apresenta ao mundo ou ao paraíso?

João Domingos Pinheiro Filho

Intriga-me a produção e difusão de imagens das pessoas por meio das redes sociais. Não tenho a pretensão de questionar ou validar as atitudes, ou, muito menos, discorrer acerca das motivações. Minhas inquietações são de reflexão pessoal quanto a algumas particularidades que envolvem as imagens nas múltiplas possibilidades de se olhar e interpretá-las.
Ultrapassar o simples momento de registro, congelamento do instante, perpetuar o efêmero do vivido, dar contornos ao cotidiano. Eis um pouco do resultado que nos chega à
superfície do contato com a obviedade dos arquivos digitais das imagens de pessoas. Olhar a própria imagem que reproduz ou imita a vida, rompendo os limites da temporalidade de duração do original. A imagem é você representado na parcialidade do captado pelos equipamentos óticos (megapixel ou nitrato de prata), sendo, portanto um alcance limitado? Restrito a estética do apresentado? Ou estaríamos diante do mergulho da intimidade, da quebra da privacidade e do reconhecimento pelo enquadramento da aparência?
A profusão de imagens pessoais ao alcance de estranhos por meio das redes sociais provoca em mim o sentido de especular até onde a imaginação os levará. Quem não viveu
contigo, te reconhecerá na(s) imagem(ns)? Quais são contornos que emergem de quem se é quanto se rende a curiosidade dos olhares da publicização do cênico de ti?
Quem sabe teu nome, convive ou conviveu na experiência de tua existência (amigo,
familiar), te avaliam no confronto as tuas ideias, posicionamentos, gostos, condutas e posturas. Possuem referências.
Ao ver tua imagem na imitação plana do teu corpo certamente terão a aproximação de um alguém plausível. Que por diferentes condições de (re)conhecimento fazem e refazem a conceituação de você, ou, em outras palavras e sentidos, quem é você.
Por outro lado, existe uma multidão de outros tantos estranhos, que no contato do visível
empreendem devassar o consumo especulativo da tua imagem. Até onde as imagens podem os levar: ao desejo dos contornos, a admiração da ousadia, a censura, a instigação para uma aproximação. Imagens são composições de histórias, que sugerem arranjos e rearranjos infindáveis de contextos. Sempre somos influenciados pela capacidade de ajuizar posição diante do mundo mediada pelos estímulos.
O que alguém vê depende do que se viveu. Então o que dizer da vida do outro vindo pelo
olhar? Como ter a noção das emoções erigida se cada pessoa que nos olha nos vê à sua maneira. Se não vêem a dor como podem ser tocados pela angustia sutil que esconde o sorriso solicitado? Se me reconheço em uma foto é pela capacidade de se revisitar em um auto-retrato, o reflexo reconhecido de mim mesmo. Mais como é a construção deste confronto entre estranhos - observador e do observado?
Meu retrato é um espelho de um passado no constante do presente. Ao outro diante do meu retrato será sempre um conflito de identidades, de um alguém no seu presente olhando o que já não mais sou.
Eis me aqui diante exclusivamente de mim mesmo.
Caruaru, 22 de fevereiro de 2012

Águas do IPOJUCA, O RIO E A SUA BACIA HIDROGRÁFICA


“As águas são os espelhos do mundo”, assim dizia o famoso pintor Monet. E com todo razão!
Quer conhecer uma cidade, saber se ela é bem cuidada ou se as pessoas vivem bem? Então olhe para as suas águas!
Vejamos o caso do rio Ipojuca.
Os rios são como nós mesmos, têm nascimento ou nascente, começam pequenos fazendo seus caminhos, seu curso de vida, e deságuam em águas maiores, a exemplo do MAR, de onde vieram na forma de chuva. Tudo é um recomeço!
Os rios são como as veias do nosso corpo, só que o corpo dos rios é as bacias hidrográficas. Conjunto de águas de uma região que correm para um rio principal. Assim é a bacia hidrográfica do rio Ipojuca. Rio principal que lhe dá o nome. Nasce no município de Arcoverde, na Serra do Pau d’arco, aproximadamente a 900 m de altitude, percorrendo cerca de 323 km.
Passa, ou estão no seu caminho, 9 cidades pernambucanas (Sanharó, Tacaimbó, São Caetano, Caruaru, Bezerros, Gravatá, Primavera, Escada e Ipojuca), mas muitas das suas águas se originam nos demais 15 municípios que fazem parte oficialmente de sua bacia hidrográfica (Arcoverde, Pesqueira, Venturosa, Alagoinha, Poção, São Bento do Una, Belo Jardim, Cachoeirinha, Altinho, Riacho das Almas, Sairé, Amaraji, Chã Grande, Pombos e Vitória de
Santo Antão).
Começa no sertão, passando pelo agreste e zona da mata, desaguando no oceano atlântico, litoral sul pernambucano, no município de Ipojuca, região metropolitana do Recife. Participa assim de 3 Regiões Fisiográficas, de 4 Mesorregiões, de 4 Regiões de Desenvolvimento e de 5 Microrregiões de Pernambuco. Unidade de Planejamento Hídrico – UP3 com área superficial de
3.433,58 km2 segunda maior bacia hidrográfica em extensão do Estado.
O recorte de geologia confere a bacia do rio Ipojuca cerca de 97% da área representada por rochas cristalinas e cristalofiliadas do tipo Pré-Cambriano, sendo os 3% restantes territorial com depósitos aluviais recentes, seguidos de reduzidos afloramentos da formação Cabo, compreendendo arenitos com matriz argilosa, além de vulcanitos (como registra o neck
vulcânico existente no município de Ipojuca). Este perfil territorial da Bacia Hidrográfica do rio Ipojuca é revelador, em grande medida, dos tipos de atividades desenvolvidas e das combinações de seus usos. No seu caminho compõe paisagens vegetais naturais das mais variadas como a Caatinga, a Mata Atlântica, Vegetação Costeira e de Mangue. Poucas são as áreas ainda preservadas ou destinadas para a conservação como a RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) Pedra do Cachorro em São Caitano, Parque Municipal João Vasconcelos Sobrinho (Caruaru) e Parque Municipal Pedra do Urubu (Primavera).
Suas águas se prestam aos mais diversificados fins. Na Pecuária (mata a sede dos animais), na agricultura (irriga as plantações), no consumo humano por meio das mais variadas finalidades.
Foi identificado como o 3º rio mais poluído do Brasil (IBGE, 2005), uma realidade de grandes contrastes entre a degradação que ocorre especialmente nas cidades, bem como a beleza de cenários naturais fabulosos como a Cachoeira do Urubu no município de Primavera.
Seu nome tem origem em idioma indígena, significando ÁGUAS TURVAS. Porém hoje poderia se dizer - ÁGUAS SUJAS.
Tem esgoto não tratado, agrotóxicos, resíduos industriais e até dos matadouros. Usinas jogam os seus restos e a população desavisada joga tudo mais o que não presta.
Alguns ainda pescam e outras lavam roupa, crianças ainda brincam às suas margens, imaginem
quanto risco!
Constroem nas suas margens, por necessidade ou ambição, retirando a vegetação natural chamada de Mata Ciliar, que são como os cílios em nossos olhos têm a função de proteger.
O rio Ipojuca fez e faz a história social e econômica de Pernambuco. Na sua foz está o Porto de Suape onde entra e sai tanta riqueza, mais uma vez contrastando com o descaso da falta de cuidado da sociedade em geral, especialmente dos poderes públicos. Os aspectos sócio-ambientais mais expressivos apresentam cenários de desafios que limitam o aproveitamento do potencial existente para o seu desenvolvimento, e ainda com problemas relacionados aos recursos hídricos: insuficiente produção de água tratada, elevadas perdas e grandes desperdícios ao sistema de abastecimento público que não acompanham o crescimento das cidades; precário
atendimento do sistema de esgotamento sanitário, com baixa cobertura especialmente
nas pequenas cidades e quase total ausência na zona rural; deficientes serviços de limpeza urbana; problemas de drenagem provocados pela ocupação inadequada do solo urbano; poluição hídrica acentuada dos mananciais provocada por lançamentos de dejetos e efluentes industriais; ausência de manejo adequado dos reservatórios.
Tanta riqueza de nada adianta, quando não é a seca que castiga, vem a cheia e tudo arrebenta. A sua maior enchente ocorreu no mês de fevereiro de 2004.
Associa-se aos problemas acima referidos, as questões a seguir, relacionadas com os recursos hídricos: precária qualidade de grande parte das águas superficiais, em razão da ocorrência de manchas de solos com potencial para salinização das águas e da operação deficiente dos reservatórios; pequenas possibilidades de irrigação, pela ausência de manchas expressivas de solos irrigáveis que justifiquem a irrigação em larga escala.
Muito felizmente existem pessoas que lembram que o rio já foi limpo e que a sua bacia hidrográfica era um lugar de realização. Estas pessoas acreditam na possibilidade de sempre se fazer algo.
Um dos maiores desafios é fazer retornar às condições SAUDÁVEIS destes AMBIENTES.
João Domingos Pinheiro Filho – Professor e Mestre em Gestão e Políticas Ambientais
Caruaru, 21-05-2011

Calendário Internacional da Cultura Negra

Calendário Internacional da Cultura Negra

JANEIRO

Dia 02
- Fundada a Irmandade do Rosário dos Homens Pretos. São Paulo/SP (1711).
- Morre Mônica Veyrac, a primeira diplomata negra da história do Itamaraty.
Costa Rica (1985).
Dia 06
- Lançado o jornal O Clarim da Alvorada, um dos poucos a refletirem a
inquietação da população negra no Brasil. Matão/SP (1924).
Dia 09
- Promulgada a Lei Federal Nº 10.639, que rege a obrigatoriedade do ensino da
história afro-brasileira na rede oficial de ensino (2003).
Dia 13
- Nasce André Rebouças, engenheiro, professor universitário e grande
abolicionista. Cachoeira/BA (1838).
Dia 15
- Nasce Marthin Luther King, pastor norte-americano que lutou pela igualdade
racial. Atlanta/Georgia (1929).
- Acontece a Revolta dos Malês, rebelião contra o escravismo e a imposição da
religião católica. Salvador/BA (1835).
Dia 29
- Morre José do Patrocínio, jornalista e ativista da causa abolicionista. Rio
de Janeiro/RJ (1905).
Dia 31
- Tombamento da Serra da Barriga, berço da resistência negra, onde nasceu o
Quilombo dos Palmares e viveu seu maior líder, Zumbi dos Palmares. União dos
Palmares/AL (1986).

FEVEREIRO


Dia 01
- Nasce Lélia González, antropóloga, filósofa, intelectual e militante da causa
negra. Bebedouro/MG (1935).
Dia 02
- Plenário da Constituinte aprova a emenda de autoria do deputado federal
Carlos Alberto Caó Oliveira, estabelecendo o racismo como crime inafiançável e
imprescritível (1988).
Dia 07
- Nasce Clementina Jesus da Silva, sambista e ícone da luta contra a discriminação
racial. Valença/RJ (1902).
Dia 10
- Nasce a Yalorixá Mãe Menininha do Gantois, ícone da luta contra a
intolerância religiosa. Salvador/BA (1894).
Dia 12
- Nasce Arlindo Veigas dos Santos, acadêmico e primeiro presidente da Frente
Negra Brasileira (FNB). Itu/SP (1902).
Dia 18
- Fundado o Afoxé Filhos de Gandhi, agremiação carnavalesca de maioria negra.
Salvador/BA (1949).
Dia 19
- Realizado o primeiro Congresso Pan-Africano. Paris/França (1919).
Dia 21
- Morre Malcom X, um dos grandes defensores dos direitos afro-americanos. Nova
Iorque (1965).


MARÇO


Dia 19
-
Acontece a Revolta do Queimado, principal movimento de luta contra a escravidão
do estado do Espírito Santo/ES (1849).
Dia 21
- Dia
Internacional de Luta contra a Discriminação Racial. O dia foi instituído pela
Organização das Nações Unidas (ONU), em memória das vítimas do massacre de
Shapevile, África do Sul.


ABRIL

Dia 01
-
Acontece o Primeiro Festival Mundial das Artes Negras. Dakar/Senegal (1966).
- Criação do Partido dos Panteras Negras. EUA (1967).
Dia 04
- Morre
Marthin Luther King, ativista e Prêmio Nobel da Paz, assassinado minutos antes
de uma marcha em favor dos direitos dos negros. Memphis/EUA (1968).
Dia 05
- Nasce
Vicente Ferreira Pastinha, o “Mestre Pastinha”, capoeirista e ícone da cultura
afro-brasileira. Salvador/BA (1889).
Dia 25
- Criado
o bloco afro Olodum. Salvador/BA (1979).
Dia 26
- Nasce
Benedita Silva, primeira mulher negra a ocupar um cargo de governadora. Praia
do Pinto/RJ (1942).

MAIO


Dia 02
- Nasce Ataulfo Alves, grande cantor e compositor negro. Miraí/MG (1909).
Dia 03
- Nasce
Milton Santos, grande geógrafo negro. Macaúba/BA (1933).
Dia 13
- A
Lei Áurea extingue oficialmente a escravidão no Brasil. Mas a data é
considerada pelo Movimento Negro como uma “mentira cívica”, sendo caracterizada
como Dia de Reflexão e Luta contra a Discriminação (1888).
Dia 13
- Nasce
Lima Barreto, escritor, jornalista e militante da causa negra. Rio de
Janeiro/RJ (1881).
Dia 14
- Líderes
da Revolta dos Malês são fuzilados. Campo da Pólvora, Salvador/BA (1835).
Dia 18
- Criado
o Conselho Nacional de Mulheres Negras. Rio de Janeiro/RJ (1950).
Dia 19
- Nasce
Malcom X, um dos maiores defensores dos direitos dos negros nos Estados Unidos.
Omaha/Nebrasca (1925).


JUNHO

Dia 06
- Morre o jamaicano Marcus Garvey, mentor do Pan-africanismo. Londres
(1940).
Dia 21
- Nasce
Luiz Gonzaga Pinto da Gama, escritor, jornalista e um dos ícones da luta pela
afirmação da identidade negra. Salvador/BA (1830).
Dia 24
- Nasce
João Candido, líder da Revolta da Chibata, conhecido como Almirante Negro. Rio
Pardo/RS (1880).


JULHO

Dia 01
- Fundado o Clube Negro de Cultura Social. São Paulo/SP (1932).
Dia 03
- É
aprovada a Lei Afonso Arinos (nº 1390), estabelecendo a discriminação racial
como contravenção penal (1951).
Dia 07
- Fundado
o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial (MNUCDR). São
Paulo/SP (1978).
Dia 11
- Nasce
Antonieta de Barros, primeira deputada negra brasileira. Florianópolis/RS
(1902).
Dia 15
- Acontece
a Primeira Conferência sobre a Mulher Negra nas Américas. Equador (1984).
Dia 18
- Nasce
Nelson Mandela, líder negro que lutou conta o regime do Apartheid na África do
Sul (1918).
Dia 24
- Nasce
Francisco Solano Trindade, poeta. Recife/PE (1908).

AGOSTO


Dia 08
- Registrado o primeiro ato de escravidão por Portugal em Lagos. Nigéria
(1444).
Dia 12
-
Acontece a Revolta dos Alfaiates, também conhecida como Revolta dos Búzios.
Manifesto dos conjurados baianos protesta contra os impostos e a escravidão e
exige independência e liberdade. Bahia/BA (1798).
Dia 14
- Morre a
Yalorixá Mãe Menininha do Gantois, ícone da luta contra a intolerância
religiosa. Salvador/BA (1986).
Dia 22
- Criada,
por meio da Lei nº 7.668, a Fundação Cultural Palmares, instituição pública
vinculada ao Ministério da Cultura que tem como principal atribuição promover a
valorização da cultura negra (1988).
Dia 23
- Nasce
José Correia Leite, ativista da imprensa negra e fundador do jornal O Clarim da
Alvorada. São Paulo/SP (1900).
Dia 24
-
Acontece o Primeiro Congresso de Cultura Negra das Américas. Colômbia
(1977).
Dia 24
- Morre o
abolicionista Luís Gama. São Paulo/SP (1882).
Dia 28
-
Acontece a Primeira Marcha de Negros sobre Washington, em favor dos direitos
civis. Estados Unidos da América (1963).
Dia 31
-
Realizada a I Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a
Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância. Durban/África do Sul
(2001).

SETEMBRO


Dia 04
- Promulgada a lei Euzébio de Queiroz, extinguindo o tráfico de escravos no
Brasil (1850).
Dia 12
- Morre o líder sul-africano, Steve Biko, idealizador do movimento pela
consciência negra. Cidade do Cabo/África do Sul (1977).
Dia 14
- Fundado o jornal O Homem de Cor, o primeiro periódico dedicado à causa negra
da imprensa brasileira (1833).
Dia 16
- Fundada a Frente Negra Brasileira, primeira agremiação política composta por
afro-descendentes. São Paulo/SP (1931).
Dia 28
- Aprovada a Lei do Ventre Livre, que declarava livre os filhos das escravas
que nascessem após essa data (1871).
Dia 28
- Assinada a Lei do Sexagenário, garantindo a liberdade aos escravos com mais
de 60 anos de idade (1885).



OUTUBRO

Dia 01
- Fundado o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAFRO). São Paulo/SP
(1980).
Dia 07
- Dia de Nossa Senhora do Rosário, patrona dos negros.
Dia 10
- Morre Francisco Lucrécio, Secretário da Frente Negra Brasileira, em São Paulo
(2001).
Dia 11
- Nasce Agenor de Oliveira, o Cartola. Cantor e compositor negro, figura entre
os maiores representantes da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro/RJ
(1908).
Dia 12
- Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, considerada protetora
dos negros. São Paulo/SP (1717).
- Fundação do Teatro Experimental do Negro (TEN). Rio de Janeiro/RJ
(1944).
Dia 15
- Nasce Grande Otelo, ator de cinema e TV e um dos ícones da cultura negra. Rio
de Janeiro/RJ (1915).
Dia 24
- Morre Rosa Parks, líder do Movimento dos Direitos Humanos. América do
Norte/EUA (2005).

NOVEMBRO


Dia 01
- Criado o bloco afro Ilê Aiyê, uma das primeiras agremiações carnavalescas a
agregar negros no Brasil. Salvador/BA (1974).
Dia 10
- Retrocesso: Governo Médici proíbe a imprensa de publicar notícias sobre
índios, Esquadrão da Morte, guerrilha, movimento negro e discriminação racial
(1969).
Dia 19
- Nasce Paulo Lauro, que viria a ser o primeiro prefeito negro de São Paulo/SP
(1907).
- Retrocesso: Rui Barbosa manda queimar todos os papéis, livros de matrícula e
registros fiscais relativos à escravidão existentes no Ministério da Fazenda
(1890).
- Lançado o primeiro volume de Cadernos Negros. São Paulo/SP (1978).
Dia 20
- Dia Nacional da Consciência Negra.
Dia 20
- Morre Zumbi dos Palmares, principal representante da resistência negra à
escravidão e líder do Quilombo dos Palmares. Alagoas/AL (1695).
Dia 22
- Revolta da Chibata. Rebelião liderada por João Candido, o “Almirante Negro”,
contra os maltratos sofridos na Marinha Mercante. Rio de Janeiro/RJ
(1910).
Dia 24
- A Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (Unesco)
reconhece o Samba do Recôncavo Baiano como Patrimônio da Humanidade.
(2005).



DEZEMBRO

Dia 01
- O ofício da Baiana do Acarajé é tombado pelo Instituto de Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Nacional (2004).
Dia 02
- Dia Nacional do Samba, uma das principais vertentes artísticas da cultura
negra.
Dia 05
- Retrocesso: Constituição proíbe negros e leprosos de freqüentar escolas
públicas no Brasil (1824).
Dia 10
- Aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) a Declaração Universal dos
Direitos Humanos (1948).
Dia 20
- Lei nº 7437/85 Estabelece como contravenção penal o tratamento
discriminatório no mercado de trabalho, por motivo de raça/cor (1985).
http://www.palmares.gov.br/?p=8766#mes1
em 25/-04/2011

Calendário Internacional da Cultura Negra

Calendário Internacional da Cultura Negra





















Dia 02
- Fundada a Irmandade do Rosário dos Homens Pretos. São Paulo/SP (1711).
- Morre Mônica Veyrac, a primeira diplomata negra da história do Itamaraty.
Costa Rica (1985).
Dia 06
- Lançado o jornal O Clarim da Alvorada, um dos poucos a refletirem a
inquietação da população negra no Brasil. Matão/SP (1924).
Dia 09
- Promulgada a Lei Federal Nº 10.639, que rege a obrigatoriedade do ensino da
história afro-brasileira na rede oficial de ensino (2003).
Dia 13
- Nasce André Rebouças, engenheiro, professor universitário e grande
abolicionista. Cachoeira/BA (1838).
Dia 15
- Nasce Marthin Luther King, pastor norte-americano que lutou pela igualdade
racial. Atlanta/Georgia (1929).
- Acontece a Revolta dos Malês, rebelião contra o escravismo e a imposição da
religião católica. Salvador/BA (1835).
Dia 29
- Morre José do Patrocínio, jornalista e ativista da causa abolicionista. Rio
de Janeiro/RJ (1905).
Dia 31
- Tombamento da Serra da Barriga, berço da resistência negra, onde nasceu o
Quilombo dos Palmares e viveu seu maior líder, Zumbi dos Palmares. União dos
Palmares/AL (1986).




Dia 01
- Nasce Lélia González, antropóloga, filósofa, intelectual e militante da causa
negra. Bebedouro/MG (1935).
Dia 02
- Plenário da Constituinte aprova a emenda de autoria do deputado federal
Carlos Alberto Caó Oliveira, estabelecendo o racismo como crime inafiançável e
imprescritível (1988).
Dia 07
- Nasce Clementina Jesus da Silva, sambista e ícone da luta contra a discriminação
racial. Valença/RJ (1902).
Dia 10
- Nasce a Yalorixá Mãe Menininha do Gantois, ícone da luta contra a
intolerância religiosa. Salvador/BA (1894).
Dia 12
- Nasce Arlindo Veigas dos Santos, acadêmico e primeiro presidente da Frente
Negra Brasileira (FNB). Itu/SP (1902).
Dia 18
- Fundado o Afoxé Filhos de Gandhi, agremiação carnavalesca de maioria negra.
Salvador/BA (1949).
Dia 19
- Realizado o primeiro Congresso Pan-Africano. Paris/França (1919).
Dia 21
- Morre Malcom X, um dos grandes defensores dos direitos afro-americanos. Nova
Iorque (1965).





Dia 19
-
Acontece a Revolta do Queimado, principal movimento de luta contra a escravidão
do estado do Espírito Santo/ES (1849).
Dia 21
- Dia
Internacional de Luta contra a Discriminação Racial. O dia foi instituído pela
Organização das Nações Unidas (ONU), em memória das vítimas do massacre de
Shapevile, África do Sul.




Dia 01
-
Acontece o Primeiro Festival Mundial das Artes Negras. Dakar/Senegal (1966).
- Criação do Partido dos Panteras Negras. EUA (1967).
Dia 04
- Morre
Marthin Luther King, ativista e Prêmio Nobel da Paz, assassinado minutos antes
de uma marcha em favor dos direitos dos negros. Memphis/EUA (1968).
Dia 05
- Nasce
Vicente Ferreira Pastinha, o “Mestre Pastinha”, capoeirista e ícone da cultura
afro-brasileira. Salvador/BA (1889).
Dia 25
- Criado
o bloco afro Olodum. Salvador/BA (1979).
Dia 26
- Nasce
Benedita Silva, primeira mulher negra a ocupar um cargo de governadora. Praia
do Pinto/RJ (1942).




Dia 02
- Nasce Ataulfo Alves, grande cantor e compositor negro. Miraí/MG (1909).
Dia 03
- Nasce
Milton Santos, grande geógrafo negro. Macaúba/BA (1933).
Dia 13
- A
Lei Áurea extingue oficialmente a escravidão no Brasil. Mas a data é
considerada pelo Movimento Negro como uma “mentira cívica”, sendo caracterizada
como Dia de Reflexão e Luta contra a Discriminação (1888).
Dia 13
- Nasce
Lima Barreto, escritor, jornalista e militante da causa negra. Rio de
Janeiro/RJ (1881).
Dia 14
- Líderes
da Revolta dos Malês são fuzilados. Campo da Pólvora, Salvador/BA (1835).
Dia 18
- Criado
o Conselho Nacional de Mulheres Negras. Rio de Janeiro/RJ (1950).
Dia 19
- Nasce
Malcom X, um dos maiores defensores dos direitos dos negros nos Estados Unidos.
Omaha/Nebrasca (1925).




Dia 06
- Morre o jamaicano Marcus Garvey, mentor do Pan-africanismo. Londres
(1940).
Dia 21
- Nasce
Luiz Gonzaga Pinto da Gama, escritor, jornalista e um dos ícones da luta pela
afirmação da identidade negra. Salvador/BA (1830).
Dia 24
- Nasce
João Candido, líder da Revolta da Chibata, conhecido como Almirante Negro. Rio
Pardo/RS (1880).




Dia 01
- Fundado o Clube Negro de Cultura Social. São Paulo/SP (1932).
Dia 03
- É
aprovada a Lei Afonso Arinos (nº 1390), estabelecendo a discriminação racial
como contravenção penal (1951).
Dia 07
- Fundado
o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial (MNUCDR). São
Paulo/SP (1978).
Dia 11
- Nasce
Antonieta de Barros, primeira deputada negra brasileira. Florianópolis/RS
(1902).
Dia 15
- Acontece
a Primeira Conferência sobre a Mulher Negra nas Américas. Equador (1984).
Dia 18
- Nasce
Nelson Mandela, líder negro que lutou conta o regime do Apartheid na África do
Sul (1918).
Dia 24
- Nasce
Francisco Solano Trindade, poeta. Recife/PE (1908).




Dia 08
- Registrado o primeiro ato de escravidão por Portugal em Lagos. Nigéria
(1444).
Dia 12
-
Acontece a Revolta dos Alfaiates, também conhecida como Revolta dos Búzios.
Manifesto dos conjurados baianos protesta contra os impostos e a escravidão e
exige independência e liberdade. Bahia/BA (1798).
Dia 14
- Morre a
Yalorixá Mãe Menininha do Gantois, ícone da luta contra a intolerância
religiosa. Salvador/BA (1986).
Dia 22
- Criada,
por meio da Lei nº 7.668, a Fundação Cultural Palmares, instituição pública
vinculada ao Ministério da Cultura que tem como principal atribuição promover a
valorização da cultura negra (1988).
Dia 23
- Nasce
José Correia Leite, ativista da imprensa negra e fundador do jornal O Clarim da
Alvorada. São Paulo/SP (1900).
Dia 24
-
Acontece o Primeiro Congresso de Cultura Negra das Américas. Colômbia
(1977).
Dia 24
- Morre o
abolicionista Luís Gama. São Paulo/SP (1882).
Dia 28
-
Acontece a Primeira Marcha de Negros sobre Washington, em favor dos direitos
civis. Estados Unidos da América (1963).
Dia 31
-
Realizada a I Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a
Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância. Durban/África do Sul
(2001).




Dia 04
- Promulgada a lei Euzébio de Queiroz, extinguindo o tráfico de escravos no
Brasil (1850).
Dia 12
- Morre o líder sul-africano, Steve Biko, idealizador do movimento pela
consciência negra. Cidade do Cabo/África do Sul (1977).
Dia 14
- Fundado o jornal O Homem de Cor, o primeiro periódico dedicado à causa negra
da imprensa brasileira (1833).
Dia 16
- Fundada a Frente Negra Brasileira, primeira agremiação política composta por
afro-descendentes. São Paulo/SP (1931).
Dia 28
- Aprovada a Lei do Ventre Livre, que declarava livre os filhos das escravas
que nascessem após essa data (1871).
Dia 28
- Assinada a Lei do Sexagenário, garantindo a liberdade aos escravos com mais
de 60 anos de idade (1885).





Dia 01
- Fundado o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAFRO). São Paulo/SP
(1980).
Dia 07
- Dia de Nossa Senhora do Rosário, patrona dos negros.
Dia 10
- Morre Francisco Lucrécio, Secretário da Frente Negra Brasileira, em São Paulo
(2001).
Dia 11
- Nasce Agenor de Oliveira, o Cartola. Cantor e compositor negro, figura entre
os maiores representantes da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro/RJ
(1908).
Dia 12
- Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, considerada protetora
dos negros. São Paulo/SP (1717).
- Fundação do Teatro Experimental do Negro (TEN). Rio de Janeiro/RJ
(1944).
Dia 15
- Nasce Grande Otelo, ator de cinema e TV e um dos ícones da cultura negra. Rio
de Janeiro/RJ (1915).
Dia 24
- Morre Rosa Parks, líder do Movimento dos Direitos Humanos. América do
Norte/EUA (2005).




Dia 01
- Criado o bloco afro Ilê Aiyê, uma das primeiras agremiações carnavalescas a
agregar negros no Brasil. Salvador/BA (1974).
Dia 10
- Retrocesso: Governo Médici proíbe a imprensa de publicar notícias sobre
índios, Esquadrão da Morte, guerrilha, movimento negro e discriminação racial
(1969).
Dia 19
- Nasce Paulo Lauro, que viria a ser o primeiro prefeito negro de São Paulo/SP
(1907).
- Retrocesso: Rui Barbosa manda queimar todos os papéis, livros de matrícula e
registros fiscais relativos à escravidão existentes no Ministério da Fazenda
(1890).
- Lançado o primeiro volume de Cadernos Negros. São Paulo/SP (1978).
Dia 20
- Dia Nacional da Consciência Negra.
Dia 20
- Morre Zumbi dos Palmares, principal representante da resistência negra à
escravidão e líder do Quilombo dos Palmares. Alagoas/AL (1695).
Dia 22
- Revolta da Chibata. Rebelião liderada por João Candido, o “Almirante Negro”,
contra os maltratos sofridos na Marinha Mercante. Rio de Janeiro/RJ
(1910).
Dia 24
- A Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (Unesco)
reconhece o Samba do Recôncavo Baiano como Patrimônio da Humanidade.
(2005).





Dia 01
- O ofício da Baiana do Acarajé é tombado pelo Instituto de Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Nacional (2004).
Dia 02
- Dia Nacional do Samba, uma das principais vertentes artísticas da cultura
negra.
Dia 05
- Retrocesso: Constituição proíbe negros e leprosos de freqüentar escolas
públicas no Brasil (1824).
Dia 10
- Aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) a Declaração Universal dos
Direitos Humanos (1948).
Dia 20
- Lei nº 7437/85 Estabelece como contravenção penal o tratamento
discriminatório no mercado de trabalho, por motivo de raça/cor (1985).
http://www.palmares.gov.br/?p=8766#mes1
em 25/-04/2011