Na escola de meus sonhos, os alunos aprendem a cozinhar, costurar, consertar eletrodomésticos, fazer pequenos reparos de eletricidade e de instalações hidráulicas, conhecer mecânica de automóvel e de geladeira, e algo de construção civil. Trabalham em horta, marcenaria e oficinas de escultura, desenho, pintura e música. Cantam no coro e tocam na orquestra.
Uma semana ao ano integram-se, na cidade, ao trabalho de lixeiros, enfermeiras, carteiros, guardas de trânsito, policiais, repórteres, feirantes e cozinheiros profissionais. Assim, aprendem como a cidade se articula por baixo, mergulhando em suas conexões subterrâneas que, à superfície, nos asseguram limpeza urbana, socorro de saúde, segurança, informação e alimentação.
Não há temas tabus. Todas as situações-limites da vida são tratadas com abertura e profundidade: dor, perda, falência, parto, morte, enfermidade, sexualidade e espiritualidade. Ali os alunos aprendem o texto dentro do contexto: a matemática busca exemplos na corrupção dos precatórios e nos leilões das privatizações; o português, na fala dos apresentadores de TV e nos textos de jornais; a geografia, nos suplementos de turismo e nos conflitos internacionais; a física, nas corridas da Fórmula 1 e pesquisas do supertelescópio Hubble; a química, na qualidade dos cosméticos e na culinária; a história, na violência de policiais a cidadãos, para mostrar os antecedentes na relação colonizadores-índios, senhores-escravos, Exército-Canudos etc.
Na escola dos meus sonhos, a interdisciplinaridade permite que os professores de biologia e de educação física se complementem; a multidisciplinaridade faz com que a história do livro seja estudada a partir da análise de textos bíblicos; a transdisciplinaridade introduz aulas de meditação e de dança, e associa a história da arte à história das ideologias e das expressões litúrgicas.
Se a escola for laica, o ensino religioso é plural: o rabino fala do judaísmo; o pai-de-santo do candomblé; o padre do catolicismo; o médium do espiritismo; o pastor do protestantismo; o guru do budismo etc. Se for católica, promove retiros espirituais e adequação do currículo ao calendário litúrgico da Igreja.
Na escola dos meus sonhos, os professores são obrigados a fazerem periódicos treinamentos e cursos de capacitação, e só são admitidos se, além da competência, comungam com os princípios fundamentais da proposta pedagógica e didática. Porque é uma escola com ideologia, visão de mundo e perfil definido sobre o que são democracia e cidadania. Essa escola não forma consumidores, mas cidadãos.
Ela não briga com a TV, mas leva-a para a sala de aula: são exibidos vídeos de anúncios e programas e, em seguida, analisados criticamente. A publicidade do iogurte é debatida; o produto, adquirido; sua química, analisada e comparada com a fórmula declarada pelo fabricante; as incompatibilidades denunciadas, bem como os fatores porventura nocivos à saúde. O programa de auditório de domingo é destrinchado: a proposta de vida subjacente; a visão de felicidade; a relação animador-platéia; os tabus e preconceitos reforçados etc. Em suma, não se fecha os olhos à realidade; muda-se a ótica de encará-la.
Há uma integração entre escola, família e sociedade. A Política, com P maiúsculo, é disciplina obrigatória. As eleições para o grêmio ou diretório estudantil são levadas a sério e um mês por ano setores não vitais da instituição são administrados pelos próprios alunos. Os políticos e candidatos são convidados para debates e seus discursos analisados e comparados às suas práticas.
Não há provas baseadas no prodígio da memória nem na sorte da múltipla escolha. Como fazia meu velho mestre Geraldo França de Lima, professor de História (hoje romancista e membro da Academia Brasileira de Letras), no dia da prova sobre a Independência do Brasil os alunos traziam à classe toda a bibliografia pertinente e, dadas as questões, consultavam os textos, aprendendo a pesquisar.
Não há coincidência entre o calendário gregoriano e o curricular. João pode cursar a 5ª série em seis meses ou em seis anos, dependendo de sua disponibilidade, aptidão e recursos.
É mais importante educar que instruir; formar pessoas que profissionais; ensinar a mudar o mundo que a ascender à elite. Dentro de uma concepção holística, ali a ecologia vai do meio ambiente aos cuidados com nossa unidade corpo-espírito, e o enfoque curricular estabelece conexões com o noticiário da mídia.
Na escola dos meus sonhos, os professores são bem pagos e não precisam pular de colégio em colégio para poderem se manter. Pois é a escola de uma sociedade onde educação não é privilégio, mas direito universal e, o acesso a ela, dever obrigatório.
Frei Betto é escritor, autor de “Alfabetto – Autobiografia Escolar” (Ática), entre outros livros.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Conheça a Lei 10639/2003.
Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
LEI No 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003.
Mensagem de veto - Altera a Lei
no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a
obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e
dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o A Lei no 9.394,
de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A,
79-A e 79-B:
"Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio,
oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura
Afro-Brasileira.
§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo
incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no
Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional,
resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política
pertinentes à História do Brasil.
§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão
ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de
Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.
§ 3o (VETADO)"
"Art. 79-A. (VETADO)"
"Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro
como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’."
Art. 2o Esta Lei entra em
vigor na data de sua publicação.
Brasília, 9 de janeiro de
2003; 182o da Independência e 115o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque
Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 10.1.2003
As Marias Madalenas do século XXI
Comumente, se perguntarmos ao senso
comum quem foi Maria Madalena, dirão apenas que foi uma prostituta que Jesus
perdoou.
Maria Madalena, segundo a história
foi uma senhora casada com Amús, homem de posses da cidade de Magdala. Por não
ter tido filho, Amús achava que Madalena era estéril, quando na verdade era ele
quem não podia ter filhos. Acreditando na esterilidade da esposa, se divorcia
dela, deixando-a sem nada e ainda a amaldiçoa .
Maria para vingar-se de Amús, por
ter tido a dignidade ferida, deita-se com Romanus (chefe da guarda de Roma) que
a engravida e ao saber da notícia, bate em Maria e a fez prostituta de todo seu
comando.
Maria Madalena não escolheu ser
ferida e magoada por homens que tanto a maltrataram. Não escolheu sofrer. Não
nasceu mulher por escolha ou opção. Não pediu pra ser abusada sexualmente. Não
pediu pra ser cuspida.
Assim, lembro-me das muitas Marias
Madalenas que foram usurpadas, injustiçadas, cada uma de um modo particular,
diferentes modos, mas todas Marias.
Marias que foram forçadas a deixarem
seus filhos; Marias que tiveram arrancadas sua dignidade; que foram espancadas,
estupradas, que a sociedade elitista olha com diferença e as marginalizam.
Todas nós mulheres fomos, somos ou
seremos Maria Madalena, cada vez que morre uma mulher vítima de violência, cada
vez que arrancam-lhe o direito de ser mãe, cada vez que somos humilhadas,
xingadas por sermos mulheres.
Não, não nascemos mulheres por
escolha ou opção! Nascemos!
Por opção fica ser Maria Madalena
que não deixou que o que parecia “perdido” afundar seus sonhos. Por opção fica
nosso desejo de luta e de transformar a realidade. De denunciar nossos
agressores. Sim, nossos, pois toda vez que uma mulher é agredida, a mim também
agridem.
E não tenho medo não, nasci muito
mulher pra ser covarde! Se eu ver uma companheira sendo lesada em algum
direito, violentada, abusada, meto o facão imaginário que em minhas mãos existe
e meto na consciência do homem que ainda acredita que mulher é sexo frágil e
violenta sua dignidade se achando superior por ser homem.
Somos todas Marias Madalenas, “nem
santas, nem putas, apenas Mulheres!”
Teresa Raquel Silva
*Foto retirada do site: coletivomariamaria.blogspot.com
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
O DESAFIO DE LECIONAR FILOSOFIA
Fonte: Célio Yano, Ciência Hoje On-line/ PR
Obrigatória no ensino médio há quatro anos, disciplina não desperta interesse nos estudantes. Filósofos tentam encontrar solução para mudar esse quadro.
Filósofos têm usado uma expressão bastante popular para definir a decisão do Ministério da Educação de instituir, em 2008, a obrigatoriedade do ensino de filosofia para alunos de nível médio. A medida, que, por um lado, é vista como positiva, por outro, teria sido ‘enfiada goela abaixo’, uma vez que não foi precedida de iniciativas que permitissem sua aplicação de modo eficiente.
// Filósofos de todo o país defendem a criação de linhas de pesquisa e até programas de pós-graduação específicos para o desenvolvimento do ensino nas escolas
Tanto é que quatro anos depois da sanção da lei 11.684/2008, que inclui a disciplina de filosofia – além da de sociologia – no currículo do ensino médio, grande parte dos professores está despreparada para lidar com a matéria, constatam os pesquisadores da área. Diante do problema, filósofos de todo o país defendem a criação de linhas de pesquisa e até programas de pós-graduação específicos para o desenvolvimento do ensino nas escolas.
Na Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (Anpof), o tema ganha cada vez mais espaço. No último encontro nacional da entidade, realizado no fim de outubro em Curitiba, um conjunto inédito de eventos paralelos foi organizado para discutir os problemas e as possíveis soluções envolvidas com a questão.
Para Patrícia Velasco, da Universidade Federal do ABC (UFABC), o primeiro ponto a se refletir é que, apesar de ter relação com a área de educação, o ensino de filosofia deveria ser objeto de estudo por parte de filósofos. “Hoje, o professor que pretende se especializar tem de recorrer a programas de pós-graduação na área de educação”, lembrou, durante o encontro da Anpof.
“Acredito que há pressupostos filosóficos no ensino de filosofia, como a própria identidade da filosofia”, disse. “Diferentes respostas geram diferentes métodos de ensino.” Daí viria a necessidade de criação de programas de pós-graduação, em filosofia, voltados para a pesquisa sobre ensino, o que ainda não existe no Brasil.
Embora não seja consensual, muitos pesquisadores defendem a criação de mestrados profissionais em filosofia para aprimorar a formação de professores de educação básica. O modelo seria o mesmo do Profmat, programa de especialização financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para professores de matemática da rede pública.
O consenso entre os pesquisadores da área é que, diferentemente de outras matérias, a filosofia não pode ser ensinada por meio da simples transferência de conhecimento para os alunos. “Professor e estudante são, simultaneamente, sujeito e objeto da disciplina”, definiu o filósofo Luciano Kaminski, do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e professor do ensino médio em Curitiba.
Para ele, o modelo engessado da educação básica no Brasil é outro entrave para a evolução do ensino de filosofia. “É preciso repensar o tempo de aula, a abrangência do conteúdo e os métodos de avaliação.”
À carência de políticas voltadas para a formação de professores de filosofia, soma-se o que o filósofo Filipe Ceppas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, considera a falência do atual modelo escolar. “Nossa escola nunca foi suficientemente republicana nem democrática, por estar baseada em princípios como a disciplinarização e a meritocracia”, afirmou. “A filosofia e os professores de filosofia têm muito a contribuir no sentido de reverter essa situação, mas o debate precisa ser horizontal, ou seja, deve envolver toda a comunidade filosófica.”
-- A experiência dos professores
Enquanto se discutem medidas políticas para a melhoria no sistema de ensino de filosofia, professores de nível médio lançam mão da criatividade para obter resultados em suas aulas. Algumas iniciativas foram apresentadas no encontro da Anpof.
O professor Rui Valese, do Colégio Estadual Deputado Arnaldo Busato, de Pinhais (PR), por exemplo, conseguiu estimular estudantes de primeiro e segundo ano a refletir sobre conceitos de felicidade e satisfação com um método que envolveu diálogos interdisciplinares.
O objetivo era, por meio dos quatro passos do método cartesiano para construção da verdade, responder a uma pergunta: “O McLanche Feliz traz felicidade?”
Com auxílio de professores de biologia e química, os alunos estudaram a composição química de lanches da rede de lanchonetes McDonald’s e os efeitos que os ingredientes podem ter no organismo humano. O objetivo era, por meio dos quatro passos do método cartesiano para construção da verdade, responder a uma pergunta: “O McLanche Feliz traz felicidade?”
Para ensinar filosofia política, a professora Joselaine Perin, da escola estadual Ceciliano Abel de Almeida, em São Mateus, no Espírito Santo, organizou uma viagem de 350 km para levar seus alunos à Assembleia Legislativa do estado, localizada na capital, Vitória. Coincidiu de, no dia da visita, encontrarem os servidores da Casa em greve por melhores salários, e os deputados em sessão na qual votavam o aumento dos próprios vencimentos.
“Conseguimos abordar um parlamentar e os alunos questionaram o que estava acontecendo”, contou. Segundo Perin, há muita dificuldade de se trabalhar com textos clássicos com os alunos, uma vez que muitos deles chegam ao ensino médio ainda semialfabetizados.
“O maior erro é usar a metodologia do ensino universitário”, disse o professor Renato Velloso, do Instituto de Educação Governador Roberto da Silveira, em Duque de Caxias, região metropolitana do Rio de Janeiro. Velloso é autor de Lecionando filosofia para adolescentes, livro que descreve métodos de ensino que professores da área podem seguir.
A ideia é compartilhada por Danilo Marcondes, coordenador da área de filosofia na Capes. “Estamos acostumados a dar aula para alunos de filosofia, que, supõe-se, têm interesse pelo tema. Os alunos de ensino médio são obrigados a estudá-la”.
Filósofos têm usado uma expressão bastante popular para definir a decisão do Ministério da Educação de instituir, em 2008, a obrigatoriedade do ensino de filosofia para alunos de nível médio. A medida, que, por um lado, é vista como positiva, por outro, teria sido ‘enfiada goela abaixo’, uma vez que não foi precedida de iniciativas que permitissem sua aplicação de modo eficiente.
// Filósofos de todo o país defendem a criação de linhas de pesquisa e até programas de pós-graduação específicos para o desenvolvimento do ensino nas escolas
Tanto é que quatro anos depois da sanção da lei 11.684/2008, que inclui a disciplina de filosofia – além da de sociologia – no currículo do ensino médio, grande parte dos professores está despreparada para lidar com a matéria, constatam os pesquisadores da área. Diante do problema, filósofos de todo o país defendem a criação de linhas de pesquisa e até programas de pós-graduação específicos para o desenvolvimento do ensino nas escolas.
Na Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (Anpof), o tema ganha cada vez mais espaço. No último encontro nacional da entidade, realizado no fim de outubro em Curitiba, um conjunto inédito de eventos paralelos foi organizado para discutir os problemas e as possíveis soluções envolvidas com a questão.
Para Patrícia Velasco, da Universidade Federal do ABC (UFABC), o primeiro ponto a se refletir é que, apesar de ter relação com a área de educação, o ensino de filosofia deveria ser objeto de estudo por parte de filósofos. “Hoje, o professor que pretende se especializar tem de recorrer a programas de pós-graduação na área de educação”, lembrou, durante o encontro da Anpof.
“Acredito que há pressupostos filosóficos no ensino de filosofia, como a própria identidade da filosofia”, disse. “Diferentes respostas geram diferentes métodos de ensino.” Daí viria a necessidade de criação de programas de pós-graduação, em filosofia, voltados para a pesquisa sobre ensino, o que ainda não existe no Brasil.
Embora não seja consensual, muitos pesquisadores defendem a criação de mestrados profissionais em filosofia para aprimorar a formação de professores de educação básica. O modelo seria o mesmo do Profmat, programa de especialização financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para professores de matemática da rede pública.
O consenso entre os pesquisadores da área é que, diferentemente de outras matérias, a filosofia não pode ser ensinada por meio da simples transferência de conhecimento para os alunos. “Professor e estudante são, simultaneamente, sujeito e objeto da disciplina”, definiu o filósofo Luciano Kaminski, do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e professor do ensino médio em Curitiba.
Para ele, o modelo engessado da educação básica no Brasil é outro entrave para a evolução do ensino de filosofia. “É preciso repensar o tempo de aula, a abrangência do conteúdo e os métodos de avaliação.”
À carência de políticas voltadas para a formação de professores de filosofia, soma-se o que o filósofo Filipe Ceppas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, considera a falência do atual modelo escolar. “Nossa escola nunca foi suficientemente republicana nem democrática, por estar baseada em princípios como a disciplinarização e a meritocracia”, afirmou. “A filosofia e os professores de filosofia têm muito a contribuir no sentido de reverter essa situação, mas o debate precisa ser horizontal, ou seja, deve envolver toda a comunidade filosófica.”
-- A experiência dos professores
Enquanto se discutem medidas políticas para a melhoria no sistema de ensino de filosofia, professores de nível médio lançam mão da criatividade para obter resultados em suas aulas. Algumas iniciativas foram apresentadas no encontro da Anpof.
O professor Rui Valese, do Colégio Estadual Deputado Arnaldo Busato, de Pinhais (PR), por exemplo, conseguiu estimular estudantes de primeiro e segundo ano a refletir sobre conceitos de felicidade e satisfação com um método que envolveu diálogos interdisciplinares.
O objetivo era, por meio dos quatro passos do método cartesiano para construção da verdade, responder a uma pergunta: “O McLanche Feliz traz felicidade?”
Com auxílio de professores de biologia e química, os alunos estudaram a composição química de lanches da rede de lanchonetes McDonald’s e os efeitos que os ingredientes podem ter no organismo humano. O objetivo era, por meio dos quatro passos do método cartesiano para construção da verdade, responder a uma pergunta: “O McLanche Feliz traz felicidade?”
Para ensinar filosofia política, a professora Joselaine Perin, da escola estadual Ceciliano Abel de Almeida, em São Mateus, no Espírito Santo, organizou uma viagem de 350 km para levar seus alunos à Assembleia Legislativa do estado, localizada na capital, Vitória. Coincidiu de, no dia da visita, encontrarem os servidores da Casa em greve por melhores salários, e os deputados em sessão na qual votavam o aumento dos próprios vencimentos.
“Conseguimos abordar um parlamentar e os alunos questionaram o que estava acontecendo”, contou. Segundo Perin, há muita dificuldade de se trabalhar com textos clássicos com os alunos, uma vez que muitos deles chegam ao ensino médio ainda semialfabetizados.
“O maior erro é usar a metodologia do ensino universitário”, disse o professor Renato Velloso, do Instituto de Educação Governador Roberto da Silveira, em Duque de Caxias, região metropolitana do Rio de Janeiro. Velloso é autor de Lecionando filosofia para adolescentes, livro que descreve métodos de ensino que professores da área podem seguir.
A ideia é compartilhada por Danilo Marcondes, coordenador da área de filosofia na Capes. “Estamos acostumados a dar aula para alunos de filosofia, que, supõe-se, têm interesse pelo tema. Os alunos de ensino médio são obrigados a estudá-la”.
A verdadeira importância da raça negra nas Olimpíadas de 2016
Publicado em setembro 10, 2012 por apocalipsetotal
Quem assistiu a cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres 2012 pode ter achado que finalmente o governo brasileiro resolveu dar valor à raça negra, mas os verdadeiros objetivos estão muito longe disso.
Umbandistas e comunistas (sim! infelizmente estamos saindo da fase do socialismo) se inspiraram no princípio do cristo cósmico Baha’u’llah sobre a “Eliminação de todos os tipos de preconceitos”, onde supostamente uma das metas é acabar com o racismo, mas na verdade criaram um festival de paganismo e aumento de preconceito para as olimpíadas de 2016.
Umbandistas esperam que o “deus” Zé Pilintra se transforme no espírito guia do Rio de Janeiro. Se esse for o tempo do verdadeiro e único DEUS isso representa um bom sinal, pois a tão esperada manifestação espiritual de Baha’u’llah e de outros espíritos guias que sairão do abismo terá que acontecer antes desse evento, mas mesmo assim não podemos marcar uma data.
Zé Pilintra é um artifício usado por satanás para esconder um demônio do alcoolismo. Essa entidade é conhecida na umbanda por estar nos bares, nos jogos de azar e levar pessoas para a sarjeta, onde muitos mendigam um gole de cachaça.
Para representar esse espírito guia no encerramento das Olimpiadas de Londres foi escolhido o cantor chamado Seu Jorge. Observe na foto abaixo que ele usa as mesmas roupas brancas e chapéu do Zé Pilintra. Um pouco mais adiante aparece um tal de jogador chamado Pelé que foi transformado em branco pela mídia iluminista e pelo dinheiro que ganhou. O terno de cor escura que ele está usando representa outra personificação do Zé pilintra que é o Zé Pretinho no catimbó, um tipo de umbanda que atende os padrões europeus.
A indução para o vício ao alcoolismo nas Olimpíadas do Brasil é uma realidade, pois a “Lei Geral da Copa” está tentando abrir passagem para esse abismo. O alcoolismo é uma das formas que satanás usará no final dos tempos para levar muitas almas :
“nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.” (I Coríntios 6 : 10)
O paganismo iniciado em Londres continua no Brasil na forma da canção feita para as Olimpíadas chamada “deuses do olimpo ”. O clip tem a direção de Estevão Ciavatta, ele dirige vários programas imbecilizantes e manipuladores como o da sua esposa global Regina Casé.
O clip parece uma versão ridícula da música “We are the Word” criada por Michael Jackson e Lionel Richie em 1985. A diferença é que ninguém está fazendo uma suposta caridade e sim implantando o racismo comunista do PT e seus aliados.
Apolo é representado por um surfista “saradão” . O deus Posseidon não aparece, mas quando seu nome é mencionado na música entra em cena um humurista negro da rede globo Helio de la Peña nadando no mar. Ora, sendo os deuses do olimpo brancos fica evidente que o humorista negro está fazendo o papel de um demônio chamado Telquines, segundo a mitologia Posseidon foi criado na ilha de Rodes por esses seres, ou seja, aqui temos uma comparação da raça negra com demônios. Afrodite é representada por uma atriz global branca que exibe o seu corpo como mercadoria. Uma afronta e discriminação para as mulheres que também são chamadas de corpos não pensantes. Afrodite na umbanda é compatível com a deusa pomba-gira .O deus Dionísio, uma personificação européia para o Zé Pilintra, aparece bebendo até cair na rua.
Esse estratégia usada pelo PT e aliados de transformar pessoas em apenas corpos encontra-se disponível na cartilha do MEC chamada “Orientações e Ações para a Educação das Relações Étnico-Raciais” que foi colocada em prática pelo ex Ministro da Educação Fernando Haddad, candidato a prefeito de São Paulo. Segundo a cartilha, o negro é apenas um corpo em movimento do ecossistema primitivo ou a parte cósmica não pensante e coletiva:
Em uma outra cena temos um rapaz negro e forte carregando algo parecido com uma máquina de lavar roupa nos ombros que fica sambando como um mestre-sala. Isso é um exemplo de trabalhador para os investidores racistas da Europa. Esse novo clip mostra um Brasil de tribos e que ainda não é civilizado.
O partido do governo lula anda investindo muito em mão de obra barata, ainda mais depois da criação de cotas para negros nas universidades, pois quando estiverem formados no futuro (isso se existir futuro) estarão ganhando menos que um branco.
CRÉDITOS: http://apocalipsetotal.wordpress.com/2012/09/10/a-verdadeira-importancia-da-raca-negra-nas-olimpiadas-de-2016/
EDUCAÇÃO DE QUALIDADE OBRIGATÓRIA DESDE A BASE
Sexta-feira, 07 de Dezembro de 2013
Fonte: Isaac Roitman(*), Correio Braziliense de 28.01.2013
Os tributos obrigatórios fazem parte da nossa história. No Brasil colônia, era obrigatório o pagamento de tributos à Coroa Portuguesa para financiar as expedições colonizadoras e proteger a costa brasileira contra saqueadores. Os impostos da metrópole recaíam sobre a comercialização do pau-brasil, das especiarias, do pescado, do ouro, da prata e das pedras preciosas.
Ao longo dos anos, dezenas de inúmeros tributos foram introduzidos. Cito alguns muito conhecidos: IR (Imposto de Renda), IE (Imposto de Exportação), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), PIS (Programa de Integração Social), IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana).
A imensa lista de tributos foi idealizada por diferentes governos, que utilizariam a arrecadação para beneficiar toda a sociedade. Infelizmente, isso quase nunca acontece. Os benefícios e serviços públicos nas áreas da saúde, da educação, da segurança, das moradias, da mobilidade urbana etc. são de baixa qualidade, devido à ineficiência administrativa ou por desvios de recursos públicos em um cenário cultural em que se dá mais importância aos interesses pessoais que ao coletivo.
A ideia que tentarei introduzir neste artigo é a de uma cobrança feita pela sociedade ao Estado para que possamos ter, no Brasil, uma educação de qualidade em todos os níveis de ensino (infantil, fundamental, médio e superior). Seria um tributo invertido, que não envolveria nenhum pagamento em moeda e no qual a sociedade cobraria do Estado o cumprimento de uma imposição constitucional.
O artigo 205 da Constituição diz que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família. O item VII do artigo 206 garante ao ensino um padrão de qualidade. Em vez disso, o que predomina é um ensino de massa, com número excessivo de alunos em sala de aula e professores com formação deficiente, com salários vergonhosos e desmotivados. As escolas carecem de infraestrutura mínima e são desprovidas de condições para aproveitar as tecnologias modernas de informação e de comunicação.
O que é preciso é a conquista da garantia, para todos os brasileiros, de uma educação que permita progressos dentro do contexto social, econômico e político, não um discurso teórico apregoado em nossas leis. Assim, a escola deveria assumir valores que estimulem a autonomia dos alunos e os oriente para o respeito a si mesmos e aos demais e para a solidariedade. Além disso, que os prepare para respeitar a natureza, compreender e conviver com a diversidade cultural e fazer o que estiver ao seu alcance para trabalhar pela paz e pela igualdade de seus semelhantes.
Os professores que só repetem o que leem seriam substituídos pelas tecnologias avançadas de informação e deveriam atuar como facilitadores e mediadores, estimulando a formação cultural e humanista dos estudantes. Como prega Edgar Morin, a educação deve favorecer a aptidão natural da mente de formular e resolver problemas essenciais e, de forma correlata, estimular o uso total da inteligência. Esse uso total pede o livre exercício da curiosidade, a faculdade mais expandida e mais viva durante a infância e a adolescência, que, com frequência, a instrução extingue e que, ao contrário, se trata de estimular ou, caso esteja adormecida, de despertar.
O não cumprimento dos preceitos constitucionais deveria resultar em penalidades a todos os responsáveis pelo insucesso educacional. É pertinente a construção de indicadores que possam avaliar a qualidade da educação como instrumento para punir os gestores públicos responsáveis por sua inadequação no nível federal, estadual e municipal. Assim como a população é punida quando não cumpre as regras dos tributos obrigatórios, os gestores deveriam ser também punidos quando cúmplices de um sistema educacional sem qualidade. O tribunal para julgar a improbidade administrativa seria a sociedade, por intermédio das entidades organizadas da sociedade civil, em um processo permanente de acompanhamento e a avaliação da qualidade do ensino.
É importante lembrar que a qualidade da educação do presente modelará o futuro do Brasil. É também importante lembrar o pensamento de Immanuel Kant: "O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele".
(*) Isaac Roitman é Professor emérito da Universidade de Brasília e membro titular da Academia Brasileira de Ciências.
Ao longo dos anos, dezenas de inúmeros tributos foram introduzidos. Cito alguns muito conhecidos: IR (Imposto de Renda), IE (Imposto de Exportação), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), PIS (Programa de Integração Social), IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana).
A imensa lista de tributos foi idealizada por diferentes governos, que utilizariam a arrecadação para beneficiar toda a sociedade. Infelizmente, isso quase nunca acontece. Os benefícios e serviços públicos nas áreas da saúde, da educação, da segurança, das moradias, da mobilidade urbana etc. são de baixa qualidade, devido à ineficiência administrativa ou por desvios de recursos públicos em um cenário cultural em que se dá mais importância aos interesses pessoais que ao coletivo.
A ideia que tentarei introduzir neste artigo é a de uma cobrança feita pela sociedade ao Estado para que possamos ter, no Brasil, uma educação de qualidade em todos os níveis de ensino (infantil, fundamental, médio e superior). Seria um tributo invertido, que não envolveria nenhum pagamento em moeda e no qual a sociedade cobraria do Estado o cumprimento de uma imposição constitucional.
O artigo 205 da Constituição diz que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família. O item VII do artigo 206 garante ao ensino um padrão de qualidade. Em vez disso, o que predomina é um ensino de massa, com número excessivo de alunos em sala de aula e professores com formação deficiente, com salários vergonhosos e desmotivados. As escolas carecem de infraestrutura mínima e são desprovidas de condições para aproveitar as tecnologias modernas de informação e de comunicação.
O que é preciso é a conquista da garantia, para todos os brasileiros, de uma educação que permita progressos dentro do contexto social, econômico e político, não um discurso teórico apregoado em nossas leis. Assim, a escola deveria assumir valores que estimulem a autonomia dos alunos e os oriente para o respeito a si mesmos e aos demais e para a solidariedade. Além disso, que os prepare para respeitar a natureza, compreender e conviver com a diversidade cultural e fazer o que estiver ao seu alcance para trabalhar pela paz e pela igualdade de seus semelhantes.
Os professores que só repetem o que leem seriam substituídos pelas tecnologias avançadas de informação e deveriam atuar como facilitadores e mediadores, estimulando a formação cultural e humanista dos estudantes. Como prega Edgar Morin, a educação deve favorecer a aptidão natural da mente de formular e resolver problemas essenciais e, de forma correlata, estimular o uso total da inteligência. Esse uso total pede o livre exercício da curiosidade, a faculdade mais expandida e mais viva durante a infância e a adolescência, que, com frequência, a instrução extingue e que, ao contrário, se trata de estimular ou, caso esteja adormecida, de despertar.
O não cumprimento dos preceitos constitucionais deveria resultar em penalidades a todos os responsáveis pelo insucesso educacional. É pertinente a construção de indicadores que possam avaliar a qualidade da educação como instrumento para punir os gestores públicos responsáveis por sua inadequação no nível federal, estadual e municipal. Assim como a população é punida quando não cumpre as regras dos tributos obrigatórios, os gestores deveriam ser também punidos quando cúmplices de um sistema educacional sem qualidade. O tribunal para julgar a improbidade administrativa seria a sociedade, por intermédio das entidades organizadas da sociedade civil, em um processo permanente de acompanhamento e a avaliação da qualidade do ensino.
É importante lembrar que a qualidade da educação do presente modelará o futuro do Brasil. É também importante lembrar o pensamento de Immanuel Kant: "O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele".
(*) Isaac Roitman é Professor emérito da Universidade de Brasília e membro titular da Academia Brasileira de Ciências.
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